...

sábado, abril 22, 2006

Não há...

mal que sempre dure nem bem que nunca acabe.... mas pelos vistos a segunda parte do ditado é a que faz mais sentido aqui pela vizinhança.... depois de uma noite tão bem passada como a de quinta para sexta-feira (não digo perfeita porque isso seria dormir as 7 horinhas sem acordar) veio uma daquelas... bem esta noite foi de hora a hora, nem o AERO OM o fez ficar quieto e bem adormecido. Vou ter de falar disto na consulta dos 9 meses, não acho normal... o meu filho é hiperactivo, não para quieto, aquelas pilhas nunca esgotam :)
Hoje tive um tempinho só para mim, soube-me tão bem :D isto de estar 24h com um filho desgasta um bocadinho... até porque passamos a viver em função de um ser que (no meu caso) ainda nem 9kg tem e acabamos por esquecer de cuidar de uma coisa também muito importante: nós próprias. Soube tão bem tomar um banhinho com um óleo aromático da PAYOT... fiquei de molho uma boa meia hora com uma água tão quentinha e tão cheirosa... ainda sinto o cheiro do óleo na minha pele que relaxante :)
Dei o jantar ao Alexandre por volta das 20h e às 21h já estava cheio de soninho... fixe! mamoca e pronto! adormeceu de seguida.
O meu filho está tão crescido... já tenho tantas saudades de quando ele era recém nascido. Quando pegava nele e ele assumia aquela posição fetal ou quando ele queria mamar e ficava doido a abanar a cabeça de um lado para o outro no meu pescoço ou então, e considero isto la créme de la créme aquele ar de satisfação após ter mamado na mamoca da mamã, como que a dizer estou no céu...
Bom fim de semana... ou melhor... bom fim do que resta dele :D

sexta-feira, abril 21, 2006

Finalmente uma noite como as de antigamente....

Obrigada filho por hoje teres deixado descansar a mamã... Quando acordaste perto das 4h da manhã para mamar estava convencida que a noite tinha acabado e comecava a saga do mexe para a direita, mexe para a esquerda, do choramingar... Mas não, hoje meu amor adormeceste e só voltaste a dar sinais às 7h da manhã :) aconcheguei-te contra mim e voltaste a adormecer profundamente. Acordaste à pouco mais de meia hora com um largo sorriso e essa disposição tem-se mantido até agora.
Vou fazer a tua sopita.

quinta-feira, abril 20, 2006

E afinal não era fome...

E pensava eu que a mamoca que não satisfaz o leãozinho poderia ser a razão de tão más noites... mas não, tirei ontem a prova. Perto da meia noite o Alexandre quis comer e vai daí não estive com meias medidas, uma pratada de papa daquela que ele mais gosta, comeu tudo. Eu orgulhosa pensei... vais dormir pelo menos até às 6-7h da matina a seguir dei-lhe mama. A muito custo adormeceu e às 3h da manhã novo pedido de toma de leite e o resto da noite a mexer-se a mexer-se... mas que se passa contigo querido??? Não são dentes, não é fome, não me parecem cólicas... só se for vício da mamoca não estou a ver outra coisa. Estou de rastos.. cansada e sem vontade de trabalhar. Hoje o dia tb não ajuda está cinzento e chove...

quarta-feira, abril 19, 2006

8 meses

Faz exactamente neste preciso momento 8 meses que nasceste meu amor e a esta hora estás a dormir uma sesta na tua caminha.
8 meses de muita felicidade e algumas lágrimas... tuas e minhas.
8 meses de contínua aprendizagem em ser mãe e filho, em nos conhecermos em nos descobrirmos...
8 meses que transformaram a minha visão da vida e da maternidade.
Estás a ficar grande meu amor, já gatinhas, já te sentas sem apoio, já brincas sozinho, adoras tirar fotografias, já dizes mamã desde dia 8 de Março e já dizes olá também, já brincas com o som que sai dessa boquinha linda, ris às gargalhadas, já elegeste a tua música preferida, aquela que te arranca grandes sorrisos sempre que a ouves.... és temperamental e teimosinho, adoras estar enroscadinho na mamã (e eu adoro estar assim contigo) e tantas outras coisas mais...
O teu pai e eu amamos-te mais do que tudo na vida.
Muitos parabéns pelo teu oitavo mês de vida. És o nosso amor

Relato das últimas duas noites...

Estas últimas duas noites foram terríveis... Agora deu-lhe para chorar desalmadamente, aquele choro que até ficam a soluçar dos nervos. Isto tudo porque a mãe resolveu insistir com o biberão. Na segunda feira a noite acabou às 4h da matina (e eu que só tinha conseguido adormecer já passava da 1.30h ), acorda dou-lhe maminha ele largou a maminha e adormece mas não para de se mexer de um lado para o outro, trago-o para a minha cama para ver se conseguia dormir alguma coisa. Às 5h da manhã resolvo ir fazer-lhe um biberão de NAN2 premium (aconselhado pela pediatra do Alexandre por ser mais docinho e agora tb pela Rita (obrigada pelo conselho)) bem... desata num berreiro de acordar a Figueira inteira e não havia maneira de o acalmar, só queria peito peito, eu bem lhe dava mas pouco saía (1h depois de ter mamado ainda não tinha lá muita reserva de leite) ele quase adormecia e eu nova tentativa de biberão e ele novo berreiro daqueles com soluços e lágrimas de molhar o lençol. Acabámos os dois a chorar ele porque queria mamar no peito e eu cheia de pena e desgosto de não ter leitinho suficiente na mamoca para o meu filho. Lá o consegui acalmar e tentei ir para a brincadeira com ele. Com ele bem calminho fomos à cozinha e com o leite que lhe tinha feito preparei uma papinha que ele comeu quase toda (150ml de papa) levei-o novamente para a cama e adormeceu ao meu colo. Deitei-o ao meu lado e ficámos encostadinhos o resto da madrugada. escusado será dizer que com estes nervos todos já não consegui pregar olho...
Na noite passada às 23h dei-lhe mama e consegui (a muito custo e com algum choro) que ele bebesse 120ml daqueles cereais prontos a beber da Cerelac. Pensei.... se ele acordou ontem às 4h da manhã, hoje com mama e biberão vai dormir até às 6-7h da matina... wrong! às 2h da manhã lá está ele a pedir mama, seguindo o conselho da pediatra dou-lhe em primeiro lugar o biberão, chora, chupeta, biberão, chora... que se lixe, mama, quase que adormece enfio-lhe o biberão, chora, choro eu de desespero, o papá pega no Alexandre ao colo e leva-o para o outro quarto e fica com ele até às 7h da manhã, obrigada M. estava mesmo a precisar de descansar. Não mamou, eu ouvi-o a noite toda a choramingar e sentia o M. a tentar dar-lhe o biberão e ele a recusar-se. Dei-lhe mama às 7h da manhã. Não quis mais mamar até à hora do almoço. Há que ter paciência... Custa-me muito esta situação...

segunda-feira, abril 17, 2006

O Alexandre e as noites

e continua a saga das noites mal dormidas...

Para dizer a verdade desde que ele nasceu que as noites são todas mal dormidas à excepção de 1 noite (sim, somente 1 em toda a vida do meu leãozito) em que dormimos 6 horinhas seguidas...
O máximo são 4 horitas. Penso que o problema maior não está nos dentinhos, uma vez que ele não tem sintomas associados ao nascimento dos dentes, excepto o dormir mal. Acho que está mesmo na maminha da mamã que já não satisfaz como antigamente e o meu leãozito recusa-se terminantemente a beber leite por biberão. Alguma sugestão?

Fez ontem um ano...

no dia de Páscoa, que senti o teu primeiro pontapé a sério meu amor, já te sentia mexer há duas semanitas mais ou menos mas aquele pontapé foi sem dúvida o primeiro a sério :) estávamos na N2 a passar por debaixo do viaduto da A24 ainda em construção, quase quase a chegar a Viseu e a ouvir Adriana Calcanhoto, fico assim sem você. Passou a ser a nossa música, os teus movimentos intensificavam-se sempre que a ouvíamos e nós (o teu pai e eu) cantávamo-la muitas vezes. Até tivemos a sorte de ouvir a nossa música no dia do teu nascimento e ao ouvi-la cantei para ti (com alguma dificuldade entre as contrações já muito apertadinhas).
Amo-te muito meu filho...

Adenda ao post desabafo...

Estava um bocadinho depré ontem... desculpem :) mas mesmo assim comigo hoje mais bem dispostinha não deixa de ser medonha a dita. A minha cicatriz é um sorriso virado à esquerda que vai quase de uma virilha à outra e tem uma subida acentuada do lado esquerdo. A médica que me observou e em quem em confio (foi a médica que sempre me seguiu até eu vir viver para aqui) disse-me a minha cicatriz só queria dizer 2 coisas: ser mesmo urgente tirar o meu filho de mim e que era uma posiçao direita posterior. O que eu não teria dado para que o meu parto tivesse tido outro final que não a cesariana...
A médica que me observou disse-me que numa próxima gravidez, a menos que o feto esteja muitíssimo bem posicionado, o mais provável é eu ter de fazer novamente uma cesariana, aliás muitos médicos (acho que a maior parte até) são apologistas do lema "uma vez cesariana sempre cesariana". Isto faz-me recuar na minha pretensão de sempre de ter 2 ou mais crianças, ou este trauma pós-operatório desaparece ou então Alexandre parece-me que serás filho único. Não me sinto preparada para outra cesariana e não sei se alguma vez estarei, as dores e a debilitação física não são comparáveis às de um parto normal, são muito piores (pelo menos para mim foram...)

domingo, abril 16, 2006

Desabafo...

Não consigo deixar de sentir tristeza quando olho a minha cicatriz... a gaja é medonha (não sou só eu que acho isso... apesar do meu querido M. dizer que tem bom aspecto encontrei alguém, formado em medicina que opina da mesma maneira que eu nesta questão), ainda me moi de vez em quando e pode parecer estúpido ou ser mesmo estúpido mas custa-me muito tocar nessa zona... há dias em que não há valdispert que resolva :(

(isto está difícil de passar está...)

Bem neste verão não vou assustar ninguém na praia uma vez que a partir de agora... Adeus Bikinis ou pelo menos adeus até que eu faça as pazes com esta zona do meu corpo...

Vamos ajudar a mãe do Tiago

Hoje pesquisando na blogosfera entrei num blog criado para ajudar um filho, é de uma mãe que teve de deixar de trabalhar para cuidar do seu filho que tem uma Neuropatia Hipomielinizante Congénita (Charcot Marie-Tooth) uma doença que pode acontecer 1 em cada 100000 nascidos. Caracteriza-se pelo facto de o corpo não produzir mielina, que é a camada que reveste os nossos nervos e é responsável pela condução dos impulsos nervosos enviados pelo cérebro.
mesmo que não comprem a bijuteria que a mãe do Tiago faz pelo menos divulgem o blog que já é uma boa ajuda.

sábado, abril 15, 2006

Páscoa Feliz

Desejamos a todos os amigos e visitantes deste blog uma Páscoa muito feliz cheia de ovinhos muito muito saborosos....

beijinhos
Cristina & Alexandre

terça-feira, abril 11, 2006

O parque

Ontem comprei um parque da chicco ao Alexandre mas um daqueles grandes. Aguentou-se lá um bom par de minutos. Vamos ver se hoje também lá se aguenta.
Pu-lo no terraço a brincar e até agora tudo bem. Espero que ele me deixe fazer alguma coisa hoje.

segunda-feira, abril 10, 2006

Afinal....

Nisto de voltar ao trabalho nem tudo parece mau. Este empregador não me parece um dos "patos bravos" habituais até acho que gostaria que me chamasse para trabalhar. Hoje é uma segunda feira de sol na rua e no espírito :)


Nota: O Alexandre não me deixou dormir outra vez.... dormiu até às 3.30h, às 4.30 pediu miminho, às 6.30h pediu maminha e depois fui eu que não consegui mais adormecer.... ainda quero ver como me vou aguentar...

domingo, abril 09, 2006

Há dias...

Em que só me apetece chorar....

E...

Amanhã lá vou eu para a primeira entrevista de uma das duas propostas de emprego que me propuseram....

Em relação à outra, o empregador disse-me para mandar o curriculum e a carta do centro de emprego pelo correio... será que isto quer dizer alguma coisa???

quinta-feira, abril 06, 2006

Querido diário ;)

Hoje o Alexandre não me deixou (outra vez...) dormir lá muito bem de noite. Se isto vira moda estou lixada.... Não comeu lá muito bem a sopa mas em contrapartida atacou nas batatas assadas da mamã.
O meu filho agora resolve imitar-nos nos gestos e vocalizações, é um brincalhão e há mais de 1 semana que já faz a pinça fina para apanhar as migalhinhas (tenho que ir colocar isso no teu boletim filho....) agora já não diz mamã com tanta frequência, é mais olá e gritinhos... farta-se de palrar, nunca está quieto e nunca se cala.... sai mesmo à mamã hehehe!
Boa noite e fiquem bem

O parto...

Estando a ser esta uma noite de insónia, vou aproveitar e relatar aquela que foi a experiência mais fantástica que tive na minha vida (pelo menos até à parte da cesariana ...).
Apesar de já ter acontecido há 7 meses e 2 semanas, recordo-me do parto como se de hoje se tratasse. O rolhão comecou a sair precisamente uma semana antes do parto, dia 12 de Agosto.
No dia 18 de Agosto fui fazer um CTG ao hospital de manhã e um toque agressivo (uma malandrice como a minha médica o intitulou, se fosse hoje não teria deixado fazer toque nenhum...) para que fosse induzido o parto no dia 22 de Agosto. Estava já com o colo 50% apagado e 3 dedos de dilatação. A Dr estranhou eu não ter dito nada nem sequer um ai abafado mas na realidade nem me doeu assim tanto. Imaginei-me na praia e consegui abstrair-me do que me estava a fazer. Disse-me que estava fresca que nem uma rosa e que ficava para segunda. Viemos para casa e eu comecei a sentir logo uma moinha no fundo da barriga mas achei que deveria ter sido do toque, não me preocupei. Passámos o dia calmamente, eu ainda a acabar de bordar uma fralda para o Alexandre que acabei nessa noite. Era para irmos caminhar como habitualmente mas como estava já com algumas dores optámos por ficar em casa, Alugámos um DVD, o Aviador. Por volta da meia noite do dia 19 de Agosto (e DPP do Alexandre) as contrações comecaram a ser ritmadas de meia em meia hora e eu pensei... vai ser mais cedo. Às duas da manhã ficaram mesmo dolorosas, o M. ajudou-me a relaxar, meti-me na banheira e disse-lhe que fosse descansar. Acho que nunca tomei banho com água tão quente, mas as dores que sentia era fortes e eram só nas costas... deitei-me às 4 da manhã, depois de vir do WC e no meio de uma contração agora mais apertadas, senti líquido a sair mas como era pouco, virei-me com um sorriso e disse ao meu marido, estou a ficar incontinente com estas dores... Voltei para o banho, desta vez duche, jactos de água quentíssimos junto à zona lombar (as minhas dores de parto foram só nas costas não tive uma única na barriga), só me apetecia estar no banho ou de gatas ou tipo como os muculmanos oram a Meca :). O M. descansava. Às 6h outra vez a mesma perda de líquido e aí eu pensei que talvezme tivesse rebentado as águas. Fui tomar o pequeno almoço, tentei sentar-me e não consegui, uma dor... chamei o M. e disse-lhe vai nascer hoje amor, temos que ir para a maternidade. tomei outro duche calmamente, tentei comer algo e lá fomos à maternidade. A turbulência provocada pelo piso irregular aumentava a frequência das contrações e as dores. Quando vinha uma o M. quase que parava o carro. Chegámos ao hospital, dei entrada nas urgências às 8h48min da manhã fui atendida por uma enfermeira fantástica que me fez o toque 5 cm disse ela, saco roto mas apresentação alta. Mandaram-me vestir uma bata e ligaram-me ao CTG. Quase não recebi oxitocina, não quis epidural, mas também ninguém me perguntou se queria... A dilatação foi-se fazendo rapidamente e com bastantes dores mas aguentei perfeitamente. A fase de transição é que custou um bocadinho porque tinha acessos de muito calor e depois de muito frio, muitos enjoos e umas dores nas costas... eu pedia à enfermeira para ter dores na barriga :) A enfermeira B. foi fenomenal queria fazer-me massagens nas costas tal como M. mas eu não suportava que ninguém me tocasse, parecia que a intensidade das dores dobrava. A médica de serviço (que infelizmente era tb a medica que estava de serviço qdo fiz a curetagem) vinha e ia, sem nunca me dirigir a palavra. De repente senti necessidade de fazer força, as contrações eram seguidas, pedi ao M. que fosse chamar alguém, nem me ocorreu que tinha uma campainha ao lado, a enfermeira e a medica vieram logo mas ainda não podia. Passado pouco tempo, novo toque, dilatação completa é hora de fazer força Cristina disse-me a enfermeira. E eu fiz muita força, muita mesmo, cheguei a evacuar mas o Alexandre não descia. A médica fazia força na minha barriga e ele continuava sem descer. Após quase 1 hora a fazer força a médica com a cabeça fez um não à enfermeira e foi-se embora. A enfermeira B. disse-me então: custa-me tanto vê-la ir para cesariana depois de um trabalho de parto destes, vamos tentar as duas mais uma vez? disse-lhe que sim com a cabeça mas pareceu que o mundo tinha desabado. Tentei com todas as minhas forças mas ele não nasceu. Depois foi tudo muito rápido, o M. empurrou juntamente com a enfermeira a cama para o bloco, encontrei a médica que me seguiu durante a gravidez e com ar de admiração disse a sorrir: então era só para Segunda feira Cristina! eu respondi no fim de uma contração: hoje já não estou fresca como uma rosa pois não Dr.? ainda deram umas gargalhadas :) entrámos na sala de operações, uma enfermeira fica com M., eu sempre a fazer força, era incontrolável, o pessoal de saude a despir-me, a pedir-me para não fazer força, faço a respiração ofegante, o anestesista pede-me para não respirar assim, eu digo, não consigo deixar de fazer força, tudo a correr à minha volta, um pano verde que sobe, eu olho a minha medica e digo-lhe que estou cheia de medo, uma coisa que desce... acordo não me lembro de nada, nem sequer o que se tinha passado, não consigo respirar, vejo sombras, tento avisá-los que não respiro, uma diz-me respire normalmente engenheira... eu penso... meu Deus tive um acidente numa obra, estava tão desorientada que nem me lembrava do que estava ali a fazer (além de que não estava à espera de ser tratada pelo grau académico quando tinham passado a manhã toda a tratar-me pelo nome), a realidade volta quando outra pessoa diz: a esta senhora só benuron porque ela quer amamentar. Não tenho forças para perguntar pelo Alexandre, não consigo falar, oiço as pessoas dizerem: esta senhora queria tanto um parto normal.... cheguei ao quarto, fiquei junto à janela com vista para o mar (cama 21), entra de repente o transportador para levar o sangue do cordão à crioestaminal, as enfermeiras ralham porque não podia entrar ninguém no quarto. Dizem-me tem um bebé tão lindo! nasceu às 2.10h e pesa 3160gr e eu pergunto ele está bem? dizem-me que sim que é um lindo rapaz.
Passado mais de 1 hora dele ter nascido o M. entra no quarto com o nosso filho, choro, choro muito de felicidade, de o ver, de os ver aos dois, de ver que ele está bem, de ver os olhos chorosos de felicidade do meu marido que amo muito. Apelidaram-me de "srª que queria tanto um parto normal", levei 24 agrafos. Por volta das 5.40h da tarde dei-lhe de mamar pela primeira vez, o pai deu-lhe um biberão logo após o nascimento. Foi maravilhoso tê-lo a mamar junto a mim, é uma sensação única, é um elo que se cria, é uma passagem de amor e carinho.
O dia a seguir ao parto, quando nos levantam é horrível, nunca tive tantas dores, muito piores que as dores de parto, não conseguia respirar de tanta dor. No 2º dia a seguir ao parto comecei a caminhar no corredor da maternidade e comecei a sentir-me melhor.
Quando fui tirar os pontos perguntei à minha médica o que tinha acontecido. Ela disse-me que o meu filho nunca nasceria sem ajuda... Para me tentar convencer disse-me que a certa altura do parto o Alexandre teria virado a cabeça e encaixado de lado (e ainda me disse que eu tinha muito espaço...), e que com a força que eu fazia mais ele encaixava. No entanto, sinto que não foi bem assim... segundo apurei há pouco tempo junto com a obstetra que estava de serviço no meu parto ela impõe um tempo limite para a fase expulsiva do parto de 40min, excedendo esse tempo ela parte para cesariana... e quem precisa de mais tempo??? Somos todas diferentes, todos os partos são diferentes...
Agradeço aos técnicos de saúde que nos acompanharam durante a nossa estadia no hospital, todos muito atenciosos, muito carinhosos.
Apesar de tudo, adorei a experiência, quando iniciei o trabalho de parto senti-me a mulher mais linda, mais poderosa e mais feliz do mundo, é uma sensação indescritível.
Disto tudo fica a felicidade de ter um filho mas fica a dor de uma experiência perdida que eu tanto queria viver...
Sinto muita tristeza por não ter sentido o meu filho nascer, por tê-lo conhecido quase 2 horas após o seu nascimento, por não me terem dado oportunidade de tomar decisões no meu parto, por me ter deixado ir para cesariana sem questionar, pela anestesia geral não consentida, por não conseguir aceitar facilmente que às vezes as coisas não correm como queremos... tenho pânico que possa suceder novamente...

quarta-feira, abril 05, 2006

Valdispert

Podem ser naturais e fraquinhos mas estão a dar conta do recado... Tenho mais paciência com o meu Alexandre que amo mais do que tudo na vida quando ele faz as suas birrinhas quer por sono quer por não querer comer, consigo descansar mais nos intervalos das mamicas à noite (2 em 2horas ou 3 em 3horas) , já nem me afecta muito o facto de haver dias em que há alguém que inconscientemente (digo inconscientemente porque não quero acreditar que seja sentido e pensado) resolve testar a minha paciência e dá comigo quase em doida uma vez que tenho que "comer e calar" and the last but not the least há dias em que consigo não me lembrar nem "remoer" e angustiar-me ao pensar no que me levou à depressão pós-parto.

E isto é muito positivo!

...

É estúpido e doloroso ter sentimentos tão antagónicos.... se uma parte de mim quer ficar aqui com o Alexandre a outra parte grita pela liberdade perdida e quer trabalhar fora.

trabalhar fora sim ou não? eis a questão...