... O nosso almoço hoje... :)
domingo, setembro 28, 2014
sexta-feira, setembro 26, 2014
A felicidade incompleta...
Hoje alguém me disse que o luto das mães que perdem filhos nunca fica completo... Nunca se resolve, não se arruma...
Da minha experiência e do que vou observando nas mulheres que infelizmente partilham este caminho comigo (e eu com elas...) so consigo dizer: "é bem verdade sr dr".
Cheguei a um ponto do luto que sinto nada mais conseguir melhorar... É uma dor calma mas não deixa de ser uma dor. Penso na Júlia todos os dias, a toda a hora... Da mesma forma que penso no Alexandre, tal e qual. Amo-os da mesma forma, com o mesmo ardor e intensidade. A diferença é que o pensamento no Alexandre não tem mágoa, não tem dor, não tem a mesma saudade. O resto é igual...
A saudade por alguém que sabemos não voltar é como um "buraco negro" no espaço... Absorve tudo... É o vazio...
E este vazio não se vai preencher e o espaço que a Júlia ocupa no meu coração não vai esvaziar.
A vida segue e "funcionamos", uns dias de cabeça mais levantada e olhos mais ao alto que outros. Caminhamos na vida com uma alma que foi rasgada num certo dia sem anestesia e sempre em carne viva. Não ha analgésico que nos valha... E ao fim de uns tempos fazemos por sorrir ou sorrimos mesmo ou tentamos sorrir ou se calhar vamos sorrindo e vamos fazendo por ser felizes... E voltamos a ser felizes ou experienciamos uma nova felicidade. Sentimos aquela felicidade que nos permite (sobre)viver, que é a felicidade da sobrevivência. Acho que também lhe podemos chamar de "felicidade incompleta".
Da minha experiência e do que vou observando nas mulheres que infelizmente partilham este caminho comigo (e eu com elas...) so consigo dizer: "é bem verdade sr dr".
Cheguei a um ponto do luto que sinto nada mais conseguir melhorar... É uma dor calma mas não deixa de ser uma dor. Penso na Júlia todos os dias, a toda a hora... Da mesma forma que penso no Alexandre, tal e qual. Amo-os da mesma forma, com o mesmo ardor e intensidade. A diferença é que o pensamento no Alexandre não tem mágoa, não tem dor, não tem a mesma saudade. O resto é igual...
A saudade por alguém que sabemos não voltar é como um "buraco negro" no espaço... Absorve tudo... É o vazio...
E este vazio não se vai preencher e o espaço que a Júlia ocupa no meu coração não vai esvaziar.
A vida segue e "funcionamos", uns dias de cabeça mais levantada e olhos mais ao alto que outros. Caminhamos na vida com uma alma que foi rasgada num certo dia sem anestesia e sempre em carne viva. Não ha analgésico que nos valha... E ao fim de uns tempos fazemos por sorrir ou sorrimos mesmo ou tentamos sorrir ou se calhar vamos sorrindo e vamos fazendo por ser felizes... E voltamos a ser felizes ou experienciamos uma nova felicidade. Sentimos aquela felicidade que nos permite (sobre)viver, que é a felicidade da sobrevivência. Acho que também lhe podemos chamar de "felicidade incompleta".
quarta-feira, setembro 24, 2014
Nascer em silêncio... no silêncio...
...Não pode continuar a ser assunto "tabu", quebrar o silêncio é obrigatório.
Um filho não pode ser esquecido, um filho não é substituível.
A Júlia é a minha segunda filha, nascida adormecida de uma gravidez de termo.
Não peçam para que esqueça, não digam que Deus quis assim ou assado ou que era pior assim ou assado, que temos de seguir em frente ou que falando dela e sofrendo por ela não os deixamos partir. Não insinuem para "atirar" para trás das costas. Não desvalorizem... fazendo assim criam ainda mais dor.
Eu não torno as coisas mais duras do que elas são a falar da minha filha Júlia, eu dou-lhe a dimensão que tem. É demasiado duro perder um filho!
A minha filha nasceu assim... no silêncio e em silêncio às 38 semanas e 4 dias de gestação de parto vaginal induzido... um parto duro e dificil fisicamente mas muito mais duro e difícil emocionalmente e voltar para casa de colo vazio e tudo o que acarreta uma morte numa gravidez de termo é... não há palavras para descrever... o que sinto cá dentro é só meu... tão solitariamente meu...
Um filho não pode ser esquecido, um filho não é substituível.
A Júlia é a minha segunda filha, nascida adormecida de uma gravidez de termo.
Não peçam para que esqueça, não digam que Deus quis assim ou assado ou que era pior assim ou assado, que temos de seguir em frente ou que falando dela e sofrendo por ela não os deixamos partir. Não insinuem para "atirar" para trás das costas. Não desvalorizem... fazendo assim criam ainda mais dor.
Eu não torno as coisas mais duras do que elas são a falar da minha filha Júlia, eu dou-lhe a dimensão que tem. É demasiado duro perder um filho!
A minha filha nasceu assim... no silêncio e em silêncio às 38 semanas e 4 dias de gestação de parto vaginal induzido... um parto duro e dificil fisicamente mas muito mais duro e difícil emocionalmente e voltar para casa de colo vazio e tudo o que acarreta uma morte numa gravidez de termo é... não há palavras para descrever... o que sinto cá dentro é só meu... tão solitariamente meu...
Despedida...
Há 7 meses atrás despedia-me de ti por esta hora... do teu corpinho perfeito. A tua alma sei que está sempre presente comigo, nunca deixaste de viver dentro de mim, nunca deixarás. Há 7 meses atrás por esta hora, entrava na capela do crematório para ter a visão mais aterradora e dolorosa da minha vida, ver o teu caixãozinho branco... perceber que afinal não era um pesadelo, a tua partida era bem real, tão desgraçadamente real. Não me lembro da cerimónia nem do que foi dito mas acredito que deva ter sido quase tão linda como tu.
Não te vi vestida com a roupa que tinha escolhido para ser a tua primeira roupa. Aquela roupa que escolhi com tanto amor e que sonhei tantas vezes ser eu quem te iria vestir. Aquela roupa que acabou por ser a tua roupa de viagem até ao Céu.
Acabei por não te vestir, optei por não te ver na cerimónia... Sei que devias estar linda e que te vestiram com muito carinho e respeito mas não consegui. Prefiro lembrar-me para sempre de ti rosadinha, quentinha e cheirosa como quando acabaste de nascer. Tu és tão linda minha filha e em tão curto espaço de tempo da tua vida fizeste tanto por nós... tanto!.
Descansa em paz até ao nosso reencontro.
Faço por viver a minha vida o melhor possível contigo gravada no meu peito e na minha alma, viverás comigo e através de mim sempre!.
Sou feliz por ti e pelo teu mano. A minha vida só tem um sentido, o sentido dos meus filhos...
Amo-vos hoje e para sempre
A vossa para sempre perdidamente apaixonada, Mãe
Não te vi vestida com a roupa que tinha escolhido para ser a tua primeira roupa. Aquela roupa que escolhi com tanto amor e que sonhei tantas vezes ser eu quem te iria vestir. Aquela roupa que acabou por ser a tua roupa de viagem até ao Céu.
Acabei por não te vestir, optei por não te ver na cerimónia... Sei que devias estar linda e que te vestiram com muito carinho e respeito mas não consegui. Prefiro lembrar-me para sempre de ti rosadinha, quentinha e cheirosa como quando acabaste de nascer. Tu és tão linda minha filha e em tão curto espaço de tempo da tua vida fizeste tanto por nós... tanto!.
Descansa em paz até ao nosso reencontro.
Faço por viver a minha vida o melhor possível contigo gravada no meu peito e na minha alma, viverás comigo e através de mim sempre!.
Sou feliz por ti e pelo teu mano. A minha vida só tem um sentido, o sentido dos meus filhos...
Amo-vos hoje e para sempre
A vossa para sempre perdidamente apaixonada, Mãe
sábado, setembro 20, 2014
7 meses...
... e parece que foi ontem.
A esta hora estava a tentar fazer-te nascer, a fazer nascer a minha filha adormecida, a fazer nascer o meu segundo grande amor para logo depois ter de te deixar partir.
O teu nascimento e as horas que estivemos contigo depois foi o mais doloroso e ao mesmo tempo o mais feliz que tive na minha vida.
Ao menos contigo estive sempre consciente, estive sempre contigo... coisa que não me foi permitido no nascimento do teu irmão.
Ai meu Deus... cuida bem da minha filha...
Amo-te daqui até ao céu e mais além princesa... Feliz mesiversário
A esta hora estava a tentar fazer-te nascer, a fazer nascer a minha filha adormecida, a fazer nascer o meu segundo grande amor para logo depois ter de te deixar partir.
O teu nascimento e as horas que estivemos contigo depois foi o mais doloroso e ao mesmo tempo o mais feliz que tive na minha vida.
Ao menos contigo estive sempre consciente, estive sempre contigo... coisa que não me foi permitido no nascimento do teu irmão.
Ai meu Deus... cuida bem da minha filha...
Amo-te daqui até ao céu e mais além princesa... Feliz mesiversário
quinta-feira, setembro 11, 2014
Esta...
... Esta
dor que arde, corroi e me mata todos os dias mais um bocadinho é também
a que me permite viver, ser feliz e seguir em frente.
É uma dor que amo
profundamente pois ela lembra-me todos os dias a minha história de vida
que não quero esquecer.
Estou bem e permito-me ser feliz e deixo que a
felicidade entre aos poucos na minha vida... aprecio o que tem de ser
apreciado, dou importância ao que realmente importa.
As quintas feiras custam...especialmente as quintas feiras com o brilho de luz matinal daquela quinta feira, as quintas feiras hão-de custar sempre...
Como uma fenix, entrei em combustão e morri naquele dia com a
minha filha... e das minhas cinzas de aroma agradável estou a
reerguer-me numa nova mulher com a certeza de que este amor que sinto
pelos meus filhos cresce com a passagem do tempo e é para sempre.
terça-feira, agosto 26, 2014
6 meses...
... 6 meses a 20 de Agosto, um dia depois do Piriri mais velho fazer 9 anos. Tem dias que me sinto algo mal por ter tornado este blog o blog da memória da Júlia mas o meu filho está sempre aqui ao pé de mim... a minha filha não. Hoje apetece-me escrever sobre isto da morte de alguém, da morte de um filho, da minha filha.
Quando a minha filha morreu só participei o falecimento dela depois de lhe fazer o funeral. No dia apenas os nossos pais, os nossos irmãos e 2 amigas muito próximas (que considero irmãs) souberam. A última coisa que eu queria era ver gente mas especialmente ouvir gente e não me arrependo.
A maioria abre a boca para tentar ajudar mas a maioria não sabe o que dizer ou fazer; ou melhor o que não dizer e o que não fazer...
Na verdade, só queremos é que nos deixem em paz, que o telefone não toque que não esteja ninguém a carregar nas campainhas, queremos que nos deixem em paz! Entristece perceber que há gente que não compreende a nossa necessidade de recolhimento, de estarmos fechados no nosso ninho, de não querer falar nem ver ninguém e então insistem e na falta de resposta nossa ficam incomodados como se nós tivessemos obrigação em dar qualquer resposta.
E é estranho perceber que quando uma desgraça destas nos cai em cima, toda a gente acha que estamos afastados da nossa capacidade de discernimento... de repente é como se estivessemos "maluquinhos" já que parece que não sabemos pensar, que não sabemos fazer nada, que não podemos estar sozinhos, etc etc etc... que devíamos fazer isto ou aquilo. Que porra! Não basta ter que se lidar com a morte de um filho ainda temos que lidar com tantas outras coisas que são tão escusadas e ouvir tantas barbaridades que nem lembra ao diabo!
Se choramos há quem diga que não devíamos chorar e consideram logo que estamos em depressão profunda e em vias de nos suicidar, se por outro lado não choramos é porque estamos a relativisar e estamos em negação e devíamos chorar...
Se fomos logo trabalhar devíamos descansar, se nos fechamos em casa e descansamos acham que "estamos a morrer" e que devíamos trabalhar porque o trabalho ajuda a esquecer (como se fosse possível esquecer a morte de um filho!)
E lá acabamos por não conseguirmos ser nós próprios e sentimo-nos completamente "fora da bolha". E isto fez com que acabasse por me afastar de (quase) toda a gente e fazer por conhecer gente que não sabia da morte da minha filha porque não aguentava mais... só o facto de ver algumas pessoas me lembrava (e lembra ainda) a morte da minha filha. Havia também outras que com a sua boa intenção e com a sua vontade de ajudar ainda me faziam pior, ora porque relativisavam demais, ora porque dramatizavam demais.
A dor da perda de um filho é inimaginável, podem ler-se milhentos textos, ver-se milhentos filmes mas ficarão sempre aquém do que verdadeiramente se sente... e ainda bem que é assim, que só quem passa mesmo é que sabe, porque esta dor é de loucos!.
O que tenho aprendido ao longo destes 6 meses é que a grande grande grande maioria das pessoas não sabe como lidar com a morte e muito menos com este tipo de morte e lidar com pessoas em luto faz-nos ver de frente a nossa própria mortalidade e é lixado.
Mas sim... há vida depois da morte de um filho, "life goes on" (que remédio) e o life goes on ainda se torna mais premente se houver outros filhos... mas a dor, a falta, a saudade, a saudade de um futuro perdido com esse filho fica para sempre e vai para além da aceitação da morte ou da fé de um reencontro no "Além" ou noutra reencarnação...
E pronto... e é isto.
Quando a minha filha morreu só participei o falecimento dela depois de lhe fazer o funeral. No dia apenas os nossos pais, os nossos irmãos e 2 amigas muito próximas (que considero irmãs) souberam. A última coisa que eu queria era ver gente mas especialmente ouvir gente e não me arrependo.
A maioria abre a boca para tentar ajudar mas a maioria não sabe o que dizer ou fazer; ou melhor o que não dizer e o que não fazer...
Na verdade, só queremos é que nos deixem em paz, que o telefone não toque que não esteja ninguém a carregar nas campainhas, queremos que nos deixem em paz! Entristece perceber que há gente que não compreende a nossa necessidade de recolhimento, de estarmos fechados no nosso ninho, de não querer falar nem ver ninguém e então insistem e na falta de resposta nossa ficam incomodados como se nós tivessemos obrigação em dar qualquer resposta.
E é estranho perceber que quando uma desgraça destas nos cai em cima, toda a gente acha que estamos afastados da nossa capacidade de discernimento... de repente é como se estivessemos "maluquinhos" já que parece que não sabemos pensar, que não sabemos fazer nada, que não podemos estar sozinhos, etc etc etc... que devíamos fazer isto ou aquilo. Que porra! Não basta ter que se lidar com a morte de um filho ainda temos que lidar com tantas outras coisas que são tão escusadas e ouvir tantas barbaridades que nem lembra ao diabo!
Se choramos há quem diga que não devíamos chorar e consideram logo que estamos em depressão profunda e em vias de nos suicidar, se por outro lado não choramos é porque estamos a relativisar e estamos em negação e devíamos chorar...
Se fomos logo trabalhar devíamos descansar, se nos fechamos em casa e descansamos acham que "estamos a morrer" e que devíamos trabalhar porque o trabalho ajuda a esquecer (como se fosse possível esquecer a morte de um filho!)
E lá acabamos por não conseguirmos ser nós próprios e sentimo-nos completamente "fora da bolha". E isto fez com que acabasse por me afastar de (quase) toda a gente e fazer por conhecer gente que não sabia da morte da minha filha porque não aguentava mais... só o facto de ver algumas pessoas me lembrava (e lembra ainda) a morte da minha filha. Havia também outras que com a sua boa intenção e com a sua vontade de ajudar ainda me faziam pior, ora porque relativisavam demais, ora porque dramatizavam demais.
A dor da perda de um filho é inimaginável, podem ler-se milhentos textos, ver-se milhentos filmes mas ficarão sempre aquém do que verdadeiramente se sente... e ainda bem que é assim, que só quem passa mesmo é que sabe, porque esta dor é de loucos!.
O que tenho aprendido ao longo destes 6 meses é que a grande grande grande maioria das pessoas não sabe como lidar com a morte e muito menos com este tipo de morte e lidar com pessoas em luto faz-nos ver de frente a nossa própria mortalidade e é lixado.
Mas sim... há vida depois da morte de um filho, "life goes on" (que remédio) e o life goes on ainda se torna mais premente se houver outros filhos... mas a dor, a falta, a saudade, a saudade de um futuro perdido com esse filho fica para sempre e vai para além da aceitação da morte ou da fé de um reencontro no "Além" ou noutra reencarnação...
E pronto... e é isto.
domingo, agosto 10, 2014
Olha...
...Olha para o que queres ver crescer.
O resto aceita, não por resignação, para por ser o que é.
A possibilidade de mudança está na fonte, não no espelho...
O resto aceita, não por resignação, para por ser o que é.
A possibilidade de mudança está na fonte, não no espelho...
domingo, julho 20, 2014
quinta-feira, julho 17, 2014
4 meses, 3 semanas e 4 dias...
Conto os teus dias da mesma forma como se
estivesses aqui, connosco. Estás quase quase a completar mais um
mesiversário fofinha. Estás, mês após mês, a tornar-te uma menina e
deves estar tão linda lá no sítio onde os anjos como tu moram. Não há
dia que não imagine como seria se estivesses connosco, imagino o teu
sorriso, os teus olhos, a tua carinha... como ficarias a
dormir (e se dormirias ehehehe), se serias parecida ao teu mano ou
completamente diferente... o quanto terias crescido desde que nasceste, o
quanto te tornarias mais linda ao crescer. A esta altura já teríamos
ido à praia um par de vezes, já te teria apresentado o mar, a areia, a
caminhada que faço... sei que nos acompanhas em todas as horas da nossa
vida, lá do alto, lá no síto onde os anjos como tu moram. Ensinaste-me
tantas coisas... estou-te tão grata e caminho na vida com a esperança de
te encontrar de novo um dia
Amo-te
Amo-te
quarta-feira, julho 09, 2014
...
...Realmente
as coisas mudam, a vida muda... depois de certos acontecimentos de vida
é bem verdade que quem éramos já não somos mais... quase 5 meses depois
de ti, não me reconheço. Aquela que habitava em mim antes de ti, morreu
contigo
quarta-feira, julho 02, 2014
?!...
....Em que mês estamos mesmo????
Em dias como hoje chuvosos, cinzentos e tristes começo a perguntar-me se Portugal não se terá deslocado por qualquer força divina para o hemisfério Sul do planeta... farta de dias chuvosos, frios e tristes. Não era suposto estarmos no verão?
Em dias como hoje chuvosos, cinzentos e tristes começo a perguntar-me se Portugal não se terá deslocado por qualquer força divina para o hemisfério Sul do planeta... farta de dias chuvosos, frios e tristes. Não era suposto estarmos no verão?
segunda-feira, junho 30, 2014
Não dá...
...Não dá para imaginar a dor de perder um filho... por mais exercício mental que possam fazer é daquelas coisas que acho só passando. A dor de perder um filho é "A DOR". Corroi-nos por dentro, rasga-nos a alma. A dor da mãe que perde um filho é inimaginável... é tão profunda que é impossível de descrever por mais palavras que se usem.
Esta dor não passa, passa a fazer parte do nosso quotidiano, da nossa vida, faz parte de nós. Esta dor, só vai passar quando se voltar a encontrar com o filho que perdeu. Cada dia que passa na nossa vida é menos um dia de distância... o medo de morrer foi-se, tem dias até que se deseja morrer. Não há nada que amenize, não há nada que conforte... é um vazio imenso... mesmo quando nos rimos, quando brincamos, mesmo quando parecemos e estamos felizes esta dor está lá, é uma tatuagem feita a ferro e fogo. Nunca mais as coisas voltam a ser o que eram, nunca mais voltamos a ser o que éramos. Morre-se quando nos morre um filho. A vida passa a ter outro sentido, as questões relativisadas, o tempo passa a ter outro tempo.
Infelizmente sei o que é A DOR... perdi a minha filha há pouco mais de 4 meses e é impossível conter as lágrimas pela Judite de Sousa mas não apenas pela Judite mas por todas as "Judites" que existem no planeta. É uma dor inimaginável, anti-natura que devia ser proibida de acontecer... o meu coração junta-se a todas as Judites deste mundo...
Esta dor não passa, passa a fazer parte do nosso quotidiano, da nossa vida, faz parte de nós. Esta dor, só vai passar quando se voltar a encontrar com o filho que perdeu. Cada dia que passa na nossa vida é menos um dia de distância... o medo de morrer foi-se, tem dias até que se deseja morrer. Não há nada que amenize, não há nada que conforte... é um vazio imenso... mesmo quando nos rimos, quando brincamos, mesmo quando parecemos e estamos felizes esta dor está lá, é uma tatuagem feita a ferro e fogo. Nunca mais as coisas voltam a ser o que eram, nunca mais voltamos a ser o que éramos. Morre-se quando nos morre um filho. A vida passa a ter outro sentido, as questões relativisadas, o tempo passa a ter outro tempo.
Infelizmente sei o que é A DOR... perdi a minha filha há pouco mais de 4 meses e é impossível conter as lágrimas pela Judite de Sousa mas não apenas pela Judite mas por todas as "Judites" que existem no planeta. É uma dor inimaginável, anti-natura que devia ser proibida de acontecer... o meu coração junta-se a todas as Judites deste mundo...
sexta-feira, junho 20, 2014
Não...
Não é preciso viver uma vida inteira para sentir o amor mais puro, mais verdadeiro... aquele que não espera nada em troca...
O Céu em festa hoje!
Hoje festejamos os teus 4 meses com um Céu de distância...
Amamos-te para todo o sempre
O Céu em festa hoje!
Hoje festejamos os teus 4 meses com um Céu de distância...
Amamos-te para todo o sempre
quinta-feira, junho 05, 2014
3 meses, 1 semana e 6 dias...
... e Doi.
Doi tanto e é uma dor tão solitária...
Doi a perda, a expetativa, a saudade de um futuro que não se vai ter,
Doi por estar tão perto de a ter nos braços
Doi de ela ir-se assim sem explicação...
Doi por a morte ser inconclusiva,
Doi pelos ses,
Doi pelo "onde é que eu falhei?"
Doi por tanta coisa...
Doi amar...
Doi tanto e é uma dor tão solitária...
Doi a perda, a expetativa, a saudade de um futuro que não se vai ter,
Doi por estar tão perto de a ter nos braços
Doi de ela ir-se assim sem explicação...
Doi por a morte ser inconclusiva,
Doi pelos ses,
Doi pelo "onde é que eu falhei?"
Doi por tanta coisa...
Doi amar...
terça-feira, maio 20, 2014
3 meses...
... 3 meses... como se fosse ontem... como se fosse hoje... daria tudo para voltar atrás no tempo, tudo para te ter de volta, para te acolher nos meus braços viva, para poder olhar para ti. Esta necessidade de ter-te comigo rasga-me a alma a todo o instante.
Amo-te muito Princesa, amo-te daqui até ao Céu e mais além. Onde quer que estejas sei que estás num sítio bom, estás feliz. Olha por nós...
Amo-te muito Princesa, amo-te daqui até ao Céu e mais além. Onde quer que estejas sei que estás num sítio bom, estás feliz. Olha por nós...
sábado, maio 10, 2014
segunda-feira, maio 05, 2014
quinta-feira, maio 01, 2014
Sobre Perda Gestacional...
Ontem no programa "A tarde é sua" na TVI, esteve presente a ASSOCIAÇÃO PROJETO ARTÉMIS para uma entrevista sobre perda gestacional com um testemunho.
Vale a pena ver e refletir, tanto sobre o que as mulheres que passam por isto sentem como os cuidados de saúde a que estamos sujeitas. Graças a Deus nós tivemos uma equipa fabulosa na Maternidade Bissaya Barreto. Fizeram de tudo para tornar esta experiência o menos traumático possivel. Ficarão no meu coração para sempre mas infelizmente esta não é a regra.
A Júlia nasceu de parto normal. Um dia talvez me apeteça escrever sobre o parto da Júlia que, apesar de medicalizado, foi humanizado. Fui tão respeitada, posso dizer que me senti amada tal a empatia daquela equipa. A minha filha era perfeita e linda... não me canso de o dizer e solta-se sempre uma lágrima de emoção sempre que recordo a carinha e o corpinho dela tão perfeitinho... mãe é assim mesmo :')
A perda gestacional, seja inicial ou tardia é algo que nos marca profundamente, só quem passa é que sabe. Eu já conto com 2, uma inicial e a Júlia... não é vergonha nenhuma, é experiência de vida, uma experiência de vida muito dolorosa mas não deixa de ser uma oportunidade de crescimento.
Não somos diferentes das outras mães... o que nos difere é que temos filhos a quem não podemos dar abraços, não vemos crescer, não partilhamos momentos, não acompanhamos os trabalhos de casa, não os levamos à escola, ao médico, não os vemos adormecer, nem os embalamos no sono, não os consolamos quando choram ou quando simplesmente estão tristes, não vamos com eles ao médico ou às reuniões de pais, nem fazemos aquelas festas de aniversário convencionais para eles... de qualquer maneira fazemos festa de aniversário só não os temos a eles para soprarem as velas. Não recebemos um desenho ou uma lembrança que eles fizeram na escola para nós nas datas especiais... enfim... tanta tanta coisa que não podemos fazer com eles mas... mas eles estão conosco, sempre conosco as 24h do nosso dia.
Que ninguém pense que no caso de um filho que falece antes de nascer ou logo após o nascimento é longe da vista, longe do coração... não é! é longe da vista e a arder de amor para sempre no coração.
Ser mãe da Júlia deu-me uma experiência que felizmente poucas mães têm: o de levá-la ao crematório...
Domingo vou lançar-lhe um balão e sei que ela o vai receber porque o balão que vou lançar vai cheio de amor e o meu amor por ela vai daqui até ao Céu e mais além...
http://www.tvi.iol.pt/programa/a-tarde-e-sua/4140/videos/133829/video/14132174/1
Vale a pena ver e refletir, tanto sobre o que as mulheres que passam por isto sentem como os cuidados de saúde a que estamos sujeitas. Graças a Deus nós tivemos uma equipa fabulosa na Maternidade Bissaya Barreto. Fizeram de tudo para tornar esta experiência o menos traumático possivel. Ficarão no meu coração para sempre mas infelizmente esta não é a regra.
A Júlia nasceu de parto normal. Um dia talvez me apeteça escrever sobre o parto da Júlia que, apesar de medicalizado, foi humanizado. Fui tão respeitada, posso dizer que me senti amada tal a empatia daquela equipa. A minha filha era perfeita e linda... não me canso de o dizer e solta-se sempre uma lágrima de emoção sempre que recordo a carinha e o corpinho dela tão perfeitinho... mãe é assim mesmo :')
A perda gestacional, seja inicial ou tardia é algo que nos marca profundamente, só quem passa é que sabe. Eu já conto com 2, uma inicial e a Júlia... não é vergonha nenhuma, é experiência de vida, uma experiência de vida muito dolorosa mas não deixa de ser uma oportunidade de crescimento.
Não somos diferentes das outras mães... o que nos difere é que temos filhos a quem não podemos dar abraços, não vemos crescer, não partilhamos momentos, não acompanhamos os trabalhos de casa, não os levamos à escola, ao médico, não os vemos adormecer, nem os embalamos no sono, não os consolamos quando choram ou quando simplesmente estão tristes, não vamos com eles ao médico ou às reuniões de pais, nem fazemos aquelas festas de aniversário convencionais para eles... de qualquer maneira fazemos festa de aniversário só não os temos a eles para soprarem as velas. Não recebemos um desenho ou uma lembrança que eles fizeram na escola para nós nas datas especiais... enfim... tanta tanta coisa que não podemos fazer com eles mas... mas eles estão conosco, sempre conosco as 24h do nosso dia.
Que ninguém pense que no caso de um filho que falece antes de nascer ou logo após o nascimento é longe da vista, longe do coração... não é! é longe da vista e a arder de amor para sempre no coração.
Ser mãe da Júlia deu-me uma experiência que felizmente poucas mães têm: o de levá-la ao crematório...
Domingo vou lançar-lhe um balão e sei que ela o vai receber porque o balão que vou lançar vai cheio de amor e o meu amor por ela vai daqui até ao Céu e mais além...
http://www.tvi.iol.pt/programa/a-tarde-e-sua/4140/videos/133829/video/14132174/1
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