...Em festa hoje... no próximo dia 20 fará 1 ano que te perdi... doem-me os olhos de não conseguir chorar porque já não tenho lágrimas para verter.
A tristeza é tão grande que as lágrimas secam ainda antes de saírem como se este vazio, qual buraco negro, quisesse absorver tudo no meu coração. Hoje é um daqueles dias que até me tocarem na pele me doi e doi-me tudo, não é só a alma, a dor é tão grande que o corpo se alia à alma numa tentativa de a aligeirar. Leio Chico Xavier na esperança que as suas palavras sábias me acalentem o coração... os meus pés sangram e tem dias que é dificil seguir em frente...
"Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés
estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste,
acima de ti mesmo. Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com
paciência. Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu
permanecerá. De todos os infelizes os mais desditosos são os que
perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é
sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo. Eleva pois o teu olhar e
caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da
noite. Hoje é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te
atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a
morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia." Chico Xavier
terça-feira, janeiro 20, 2015
quarta-feira, dezembro 17, 2014
10 Anos!
...Há precisamente 10 anos tinha a confirmação que vinhas a caminho meu Leãozinho aos caracóis que já não tem caracóis.
Foi o melhor presente de Natal que alguma vez poderia ter tido na vida!
Amo-te muito meu filho.
Obrigada por fazeres parte da minha vida...
Foi o melhor presente de Natal que alguma vez poderia ter tido na vida!
Amo-te muito meu filho.
Obrigada por fazeres parte da minha vida...
segunda-feira, dezembro 08, 2014
Agora e...
...a caminho do 10º mês da tua partida tão repentina e tão dolorosa, dou por mim a pensar no Natal do ano passado, dos sonhos, da esperança e felicidade de um futuro contigo, de um futuro risonho a 4.
Este ano peço ao Pai Natal nunca reviver 2014.
Que 2014 faleça a 31 de Dezembro e que nunca mais volte que já vai tarde! Que venha outro 2013 por exemplo que eu não me importo, fomos tão felizes em 2013...
Que 2015 nos traga uma terceira viagem, um novo futuro risonho, e se possível novamente cor de rosa...
Este ano peço ao Pai Natal nunca reviver 2014.
Que 2014 faleça a 31 de Dezembro e que nunca mais volte que já vai tarde! Que venha outro 2013 por exemplo que eu não me importo, fomos tão felizes em 2013...
Que 2015 nos traga uma terceira viagem, um novo futuro risonho, e se possível novamente cor de rosa...
(1 Dezembro de 2013 no tempo em que a vida era perfeita e fazíamos projetos de um futuro contigo Jú)
domingo, dezembro 07, 2014
Meus filhos...
Há um ano atrás tirávamos esta foto os 3... 2013 foi sem dúvida o ano mais feliz da minha vida e eu não sabia. Como mulher insatisfeita por natureza e exigente ao ponto de querer sempre mais e mais tinha sonhos e esperanças de que 2014 superasse 2013.
E superou...
Pela negativa no que respeita à felicidade e antagonicamente pela positiva em termos de ensinamento do que realmente é importante, da capacidade do ser humano poder morrer em vida e de voltar a nascer mais forte e melhor, da descoberta da capacidade de amar com um Céu de distância. Pela positiva no sentido de perceber a dimensão do amor dos que nos rodeiam e das pessoas maravilhosas que conheci e que partilham um destino de vida similar.
2014 trouxe o pior da vida mas trouxe à superfície o melhor de mim. Trouxe a sabedoria do que realmente faz falta, do que realmente importa viver, da vida das coisas em detrimento das coisas da vida.
Amores da minha vida, carne da minha carne...
Gratidão infinita ao Universo por me ter escolhido para ser a vossa mãe, por poder cuidar de ti Alexandre e ajudar-te a crescer, pelo ensinamento que foi e é ser tua mãe Jú, ser mãe de um Anjo Rosa no Céu...
Este Amor não tem dimensão, não tem espaço... é amor puro, que não espera nada em troca. Amo pelo prazer de vos amar...
Este Amor estala-me a alma e fá-la crescer para albergar este sentimento tão profundo e tão visceral que me acompanha e cresce a cada instante que passa...
"Amo-vos" é de facto uma palavra que fica bem aquém daquilo que sinto...
E superou...
Pela negativa no que respeita à felicidade e antagonicamente pela positiva em termos de ensinamento do que realmente é importante, da capacidade do ser humano poder morrer em vida e de voltar a nascer mais forte e melhor, da descoberta da capacidade de amar com um Céu de distância. Pela positiva no sentido de perceber a dimensão do amor dos que nos rodeiam e das pessoas maravilhosas que conheci e que partilham um destino de vida similar.
2014 trouxe o pior da vida mas trouxe à superfície o melhor de mim. Trouxe a sabedoria do que realmente faz falta, do que realmente importa viver, da vida das coisas em detrimento das coisas da vida.
Amores da minha vida, carne da minha carne...
Gratidão infinita ao Universo por me ter escolhido para ser a vossa mãe, por poder cuidar de ti Alexandre e ajudar-te a crescer, pelo ensinamento que foi e é ser tua mãe Jú, ser mãe de um Anjo Rosa no Céu...
Este Amor não tem dimensão, não tem espaço... é amor puro, que não espera nada em troca. Amo pelo prazer de vos amar...
Este Amor estala-me a alma e fá-la crescer para albergar este sentimento tão profundo e tão visceral que me acompanha e cresce a cada instante que passa...
"Amo-vos" é de facto uma palavra que fica bem aquém daquilo que sinto...
sexta-feira, dezembro 05, 2014
Como é que se esquece...
Como é que se esquece
alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa, como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já não está lá?
As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tente esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou de coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso primeiro aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados, se tivessem apenas o peso que têm em si: isto é, se os livrássemos da carga que lhe damos, aceitando que não tem solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença do que se padeceu. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembrança, na esperança de ele se cansar.
Porque é que é sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos? O cansaço faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós. O cansaço é uma coisa que só o amor compreende. A minha mãe. O meu amor. E a felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos partilhar. É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.
As pessoas nunca deveriam morrer, nem deixarem de se amar, nem separar-se, nem esquecer-se, mas morrem e deixam e separam-se e esquecem-se. Custa aceitar que os mais velhos, que nos deram vida, tenham de dar a vida para poderem continuar vivos dentro de nós. Mas é preciso aceitar. É preciso aceitar. É preciso sofrer, dar urros, murros na mesa, não perceber. E aceitar. Se as pessoas amadas fossem imortais perderíamos o coração. Perderíamos a religiosidade, a paciência, a humanidade até.
Há uma presença interior, uma continuação em nós de quem desapareceu, que se ressente do confronto com a presença exterior. É por isso que nunca se deve voltar a um sítio onde se tenha sido feliz. Todas as cidades se tornam realmente feias, fisicamente piores, à medida que se enraízam e alindam na memória que guardamos delas no coração. Regressar é fazer mal ao que se guardou.
Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento, as pessoas que se amam mas não se dão bem, só conseguem amar-se bem quando não se dão. Mas como esquecer? Como deixar acabar aquela dor? É preciso paciência. É preciso sofrer. É preciso aguentar.
Há grandeza no sofrimento. Sofrer é respeitar o tamanho que teve um amor. No meio do remoinho de erros que nos revolve as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor temos de encontrar a raiz daquela paixão, a razão original daquele amor.
Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas das Caraíbas, livros de poesia- só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar fôlego. Esta dor tem de ser aguentada e bem sofrida com paciência e fortaleza. Ir a correr para debaixo das saias de quem for é uma reacção natural, mas não serve de nada e faz pouco de nós próprios. A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem até uma estranha beleza. Nós somos feitos para aguentar com ela.
Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isso não tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada por Ter sido apanhada na via pública, como um bicho preto e feio, um parasita de coração, uma peste inexterminável barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.
O que é preciso é igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer é preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne.
E mesmo assim, mesmo magoado, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os braços já não conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestida de preto, aos soluços, dobrada sobre a areia de Nazaré, mesmo com muita paciência e muita má vontade, mesmo assim é possível que não se consiga esquecer nem um bocadinho.
Quanto mais fácil amar e lembrar alguém uma mãe, um filho, um amigo, um grande amor mais fácil deixar de amá-lo e esquecê-lo.
Raio de sorte, ó lindeza, miséria suprema do amor. Pode esquecer-se quem nos vem à lembrança, aqueles de quem nos lembramos de vez em quando, com dor ou alegria, tanto faz, com tempo e paciência, aqueles que amamos com paciência, aqueles que amamos sinceramente, que partiram, que nos deixaram, vazios de mãos e cheios de saudades, esses doem-se e depois esquecem-se mais ou menos bem.
E quando alguém está sempre presente?
Quando é tarde. Quando já não se aguenta mais. Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.
Como é que se pode esquecer o que só se consegue lembrar?
Aí está o sofrimento maior de todos. O luto verdadeiro.
Aí está a maior das felicidades.
Miguel Esteves Cardoso
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa, como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já não está lá?
As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tente esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou de coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso primeiro aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados, se tivessem apenas o peso que têm em si: isto é, se os livrássemos da carga que lhe damos, aceitando que não tem solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença do que se padeceu. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembrança, na esperança de ele se cansar.
Porque é que é sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos? O cansaço faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós. O cansaço é uma coisa que só o amor compreende. A minha mãe. O meu amor. E a felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos partilhar. É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.
As pessoas nunca deveriam morrer, nem deixarem de se amar, nem separar-se, nem esquecer-se, mas morrem e deixam e separam-se e esquecem-se. Custa aceitar que os mais velhos, que nos deram vida, tenham de dar a vida para poderem continuar vivos dentro de nós. Mas é preciso aceitar. É preciso aceitar. É preciso sofrer, dar urros, murros na mesa, não perceber. E aceitar. Se as pessoas amadas fossem imortais perderíamos o coração. Perderíamos a religiosidade, a paciência, a humanidade até.
Há uma presença interior, uma continuação em nós de quem desapareceu, que se ressente do confronto com a presença exterior. É por isso que nunca se deve voltar a um sítio onde se tenha sido feliz. Todas as cidades se tornam realmente feias, fisicamente piores, à medida que se enraízam e alindam na memória que guardamos delas no coração. Regressar é fazer mal ao que se guardou.
Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento, as pessoas que se amam mas não se dão bem, só conseguem amar-se bem quando não se dão. Mas como esquecer? Como deixar acabar aquela dor? É preciso paciência. É preciso sofrer. É preciso aguentar.
Há grandeza no sofrimento. Sofrer é respeitar o tamanho que teve um amor. No meio do remoinho de erros que nos revolve as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor temos de encontrar a raiz daquela paixão, a razão original daquele amor.
Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas das Caraíbas, livros de poesia- só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar fôlego. Esta dor tem de ser aguentada e bem sofrida com paciência e fortaleza. Ir a correr para debaixo das saias de quem for é uma reacção natural, mas não serve de nada e faz pouco de nós próprios. A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem até uma estranha beleza. Nós somos feitos para aguentar com ela.
Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isso não tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada por Ter sido apanhada na via pública, como um bicho preto e feio, um parasita de coração, uma peste inexterminável barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.
O que é preciso é igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer é preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne.
E mesmo assim, mesmo magoado, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os braços já não conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestida de preto, aos soluços, dobrada sobre a areia de Nazaré, mesmo com muita paciência e muita má vontade, mesmo assim é possível que não se consiga esquecer nem um bocadinho.
Quanto mais fácil amar e lembrar alguém uma mãe, um filho, um amigo, um grande amor mais fácil deixar de amá-lo e esquecê-lo.
Raio de sorte, ó lindeza, miséria suprema do amor. Pode esquecer-se quem nos vem à lembrança, aqueles de quem nos lembramos de vez em quando, com dor ou alegria, tanto faz, com tempo e paciência, aqueles que amamos com paciência, aqueles que amamos sinceramente, que partiram, que nos deixaram, vazios de mãos e cheios de saudades, esses doem-se e depois esquecem-se mais ou menos bem.
E quando alguém está sempre presente?
Quando é tarde. Quando já não se aguenta mais. Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.
Como é que se pode esquecer o que só se consegue lembrar?
Aí está o sofrimento maior de todos. O luto verdadeiro.
Aí está a maior das felicidades.
Miguel Esteves Cardoso
segunda-feira, novembro 17, 2014
Hoje...
... Hoje completam-se 38s+4d da tua partida...
A partir de hoje passas a estar há mais tempo no sítio onde os Anjos como tu moram do que aqui connosco...
Amo-te daqui até ao Céu e mais além filha
Abraços e beijos do tamanho das dimensões que nos separam, da tua e para sempre Mãe...
A partir de hoje passas a estar há mais tempo no sítio onde os Anjos como tu moram do que aqui connosco...
Amo-te daqui até ao Céu e mais além filha
Abraços e beijos do tamanho das dimensões que nos separam, da tua e para sempre Mãe...
quinta-feira, novembro 13, 2014
38 semanas...
...passaram 38 semanas... daqui a 4 dias há tanto tempo no Céu como aqui...
É insuportável não conseguir deixar de ter a perceção dos dias, das semanas, da dor, da saudade... tudo mais parece tão pequenino, tão insignificante... os factos da vida são apenas e só tretas...
Já é insuportável ouvir a palavra" força"... até parece que se trata de levantar pesos. A palavra "ultrapassar" é abominável e normalmente dita porque quem vive na felicidade da profunda ignorância de achar que se supera a morte de alguém tão visceralmente ligado a nós como um filho.
"Ultrapassar" só ganha dimensão se o assunto for exceder os limites do que alguma vez se achou que se pudesse sentir, relativisar questões menores e vencer a inércia constante que teima em fazer-nos fechar os olhos e parar de respirar...
É insuportável não conseguir deixar de ter a perceção dos dias, das semanas, da dor, da saudade... tudo mais parece tão pequenino, tão insignificante... os factos da vida são apenas e só tretas...
Já é insuportável ouvir a palavra" força"... até parece que se trata de levantar pesos. A palavra "ultrapassar" é abominável e normalmente dita porque quem vive na felicidade da profunda ignorância de achar que se supera a morte de alguém tão visceralmente ligado a nós como um filho.
"Ultrapassar" só ganha dimensão se o assunto for exceder os limites do que alguma vez se achou que se pudesse sentir, relativisar questões menores e vencer a inércia constante que teima em fazer-nos fechar os olhos e parar de respirar...
sexta-feira, outubro 31, 2014
domingo, outubro 26, 2014
Conversas...
Conversas entre mãe e filho:
- Filho se não te portas em condições ficas de castigo sem computador e sem tablet
- Oh... Não faz mal...
- Não faz mal?! Então? Queres arriscar?
- oh mãe, mas continuo a ter-te a ti!
Com 9 anos e tão sabidolas... E la fiquei eu com um sorriso no rosto, é demais este meu filho ♥
- Filho se não te portas em condições ficas de castigo sem computador e sem tablet
- Oh... Não faz mal...
- Não faz mal?! Então? Queres arriscar?
- oh mãe, mas continuo a ter-te a ti!
Com 9 anos e tão sabidolas... E la fiquei eu com um sorriso no rosto, é demais este meu filho ♥
terça-feira, outubro 21, 2014
Ontem...
... Houve festa no Céu...
E eu ouvi vezes sem conta a "nossa" música.
8 meses passaram desde a tua partida, parece que foi ontem que te senti nascer para te ver partir...
Acredito que, lá no sítio onde os Anjos como tu moram, sejas e estejas feliz, é este pensamento que me faz avançar nos dias.
Amo-te tanto minha filha, tanto!
E eu ouvi vezes sem conta a "nossa" música.
8 meses passaram desde a tua partida, parece que foi ontem que te senti nascer para te ver partir...
Acredito que, lá no sítio onde os Anjos como tu moram, sejas e estejas feliz, é este pensamento que me faz avançar nos dias.
Amo-te tanto minha filha, tanto!
terça-feira, outubro 14, 2014
E Agora ?...
O que foi feito de ti
Eras perfeita em mim
Será que foste tentar encontrar
Que te foste libertar
Esperei tanto por ti
E caiu-me um manto em mim
Será que te perdeste a caminhar
Ou foi só para me castigar
E agora, será que te perdi,
O que será de mim, sem ti...
Ai Jú.... que é de mim sem ti agora fofitis?...
Amo-te daqui até ao Ceú e mais além princesa...
Eras perfeita em mim
Será que foste tentar encontrar
Que te foste libertar
Esperei tanto por ti
E caiu-me um manto em mim
Será que te perdeste a caminhar
Ou foi só para me castigar
E agora, será que te perdi,
O que será de mim, sem ti...
Ai Jú.... que é de mim sem ti agora fofitis?...
Amo-te daqui até ao Ceú e mais além princesa...
sábado, outubro 11, 2014
E é assim...
...Nos momentos que mais sinto necessidade da tua presença mostras-te sempre...
Hoje desejei um momento nosso, no nosso lugar. A seguir a uma euforia (hoje fiz pump e step no ginásio e foi muito divertido) fico sempre numa angústia e tristeza descomunal. Acho que devo ter desenvolvido alguma bipolaridade com a tua partida.
Como estava a dizer, hoje desejei um momento nosso, no nosso lugar. Já lá não ia desde o verão, desde que fizeram aquele bar da praia. Deixei de ir porque não conseguia estar sozinha, sem barulho, sem eventualmente ser observada.
Passei de carro e o bar estava fechado. Ninguém por ali, apenas um casal de namorados que estava longe. Parei. Saí do carro para ver um mar imenso, escuro... o Ceú trazia um prenúncio de tempestade e nada de gaivotas.
Sentei-me e cresceu ainda mais em mim a angústia e o desejo insano de te ter no colo, de te ver, beijar, cheirar e abraçar. Um desejo insano de te ter no peito, com a boquita agarrada à minha mama.
Sentei-me no "nosso" muro, onde tantas vezes contemplava o mar e to descrevia, onde sonhei acordada, onde te senti tantas e tantas vezes e "conversávamos".
Contemplei o mar e o céu vazios e não contive as lágrimas. Doi ainda tanto sabes? Eu sei que sabes.
Fiquei parada uns minutos sozinha naquele muro que é o nosso e onde deverias estar comigo hoje. Quis-te ainda mais perto e não via gaivotas a voar e comecei a pensar que associar pássaros a voar contigo era uma ideia tonta minha.
Coloquei a nossa música a tocar... gosto tanto dela! Não posso ouvir todos os dias porque as lágrimas insistem em correr quando a oiço. E pronto, de repente apareceram 2 gaivotas a voar lado a lado e depois outras tantas e mais ainda!
Hoje confirmei que és tu, sempre foste tu. E dei por mim a sorrir e a olhar para aquela linda dança das gaivotas e senti-te tão perto, tão perto!
Que ninguém diga que partiste... o teu corpo morreu mas tu...tu, minha filha, estás sempre comigo. Amo-te daqui até ao Céu e mais além Jú
Hoje desejei um momento nosso, no nosso lugar. A seguir a uma euforia (hoje fiz pump e step no ginásio e foi muito divertido) fico sempre numa angústia e tristeza descomunal. Acho que devo ter desenvolvido alguma bipolaridade com a tua partida.
Como estava a dizer, hoje desejei um momento nosso, no nosso lugar. Já lá não ia desde o verão, desde que fizeram aquele bar da praia. Deixei de ir porque não conseguia estar sozinha, sem barulho, sem eventualmente ser observada.
Passei de carro e o bar estava fechado. Ninguém por ali, apenas um casal de namorados que estava longe. Parei. Saí do carro para ver um mar imenso, escuro... o Ceú trazia um prenúncio de tempestade e nada de gaivotas.
Sentei-me e cresceu ainda mais em mim a angústia e o desejo insano de te ter no colo, de te ver, beijar, cheirar e abraçar. Um desejo insano de te ter no peito, com a boquita agarrada à minha mama.
Sentei-me no "nosso" muro, onde tantas vezes contemplava o mar e to descrevia, onde sonhei acordada, onde te senti tantas e tantas vezes e "conversávamos".
Contemplei o mar e o céu vazios e não contive as lágrimas. Doi ainda tanto sabes? Eu sei que sabes.
Fiquei parada uns minutos sozinha naquele muro que é o nosso e onde deverias estar comigo hoje. Quis-te ainda mais perto e não via gaivotas a voar e comecei a pensar que associar pássaros a voar contigo era uma ideia tonta minha.
Coloquei a nossa música a tocar... gosto tanto dela! Não posso ouvir todos os dias porque as lágrimas insistem em correr quando a oiço. E pronto, de repente apareceram 2 gaivotas a voar lado a lado e depois outras tantas e mais ainda!
Hoje confirmei que és tu, sempre foste tu. E dei por mim a sorrir e a olhar para aquela linda dança das gaivotas e senti-te tão perto, tão perto!
Que ninguém diga que partiste... o teu corpo morreu mas tu...tu, minha filha, estás sempre comigo. Amo-te daqui até ao Céu e mais além Jú
sexta-feira, outubro 10, 2014
3.4 em cada 1000...
....3.4 em cada 1000 parece pouco não é?
3.4 em cada 1000 é o valor de 2013.... é um valor estatístico que parece baixo não é?
Mas... Continuará a parecer baixo se falarmos que são 3.4 bebés em cada 1000 gestações de 28 ou mais semanas que nascem mortos?
E se juntarmos os bebés a partir das 22 semanas? Sabia que passam a ser 4.2 bebés em cada 1000 que nascem mortos? Sim! Estatisticamente são feitos 4.2 funerais em cada 1000 bebés que nascem! 4.2 famílias destroçadas em cada 1000 famílias que têm bebés!
E se juntarmos as perdas que ocorrem antes das 22 semanas? Qual será o número? Nem existem estatísticas... e porque não fazem estatísticas? Provavelmente porque o cenário é tão negro que preferem enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que não existe!
Mas... e se para si continuar a parecer pouco porque não se pergunta a si mesmo o que aconteceria se fosse a si que acontecesse?
Também gostaria que lhe relativisassem a dor e que lhe dissessem que foi melhor assim que nascer deficiente? ou deixa lá... podes ter mais filhos?! ou outra coisa qualquer do género?
As mulheres não podem continuar a ter que sofrer 3 perdas ou 1 perda fetal tardia para que se façam estudos. É desumano e cruel!
Nós não perdemos uma gravidez, nós perdemos filhos! Eu perdi a minha filha, a Júlia, linda, perfeita, com quase 39 semanas de gestação!
Não a vou esquecer, nem vou deixar que se esqueçam que o luto por uma perda gestacional em qualquer trimestre de gravidez existe e tem que ser respeitado!
Tenho dito!
3.4 em cada 1000 é o valor de 2013.... é um valor estatístico que parece baixo não é?
Mas... Continuará a parecer baixo se falarmos que são 3.4 bebés em cada 1000 gestações de 28 ou mais semanas que nascem mortos?
E se juntarmos os bebés a partir das 22 semanas? Sabia que passam a ser 4.2 bebés em cada 1000 que nascem mortos? Sim! Estatisticamente são feitos 4.2 funerais em cada 1000 bebés que nascem! 4.2 famílias destroçadas em cada 1000 famílias que têm bebés!
E se juntarmos as perdas que ocorrem antes das 22 semanas? Qual será o número? Nem existem estatísticas... e porque não fazem estatísticas? Provavelmente porque o cenário é tão negro que preferem enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que não existe!
Mas... e se para si continuar a parecer pouco porque não se pergunta a si mesmo o que aconteceria se fosse a si que acontecesse?
Também gostaria que lhe relativisassem a dor e que lhe dissessem que foi melhor assim que nascer deficiente? ou deixa lá... podes ter mais filhos?! ou outra coisa qualquer do género?
As mulheres não podem continuar a ter que sofrer 3 perdas ou 1 perda fetal tardia para que se façam estudos. É desumano e cruel!
Nós não perdemos uma gravidez, nós perdemos filhos! Eu perdi a minha filha, a Júlia, linda, perfeita, com quase 39 semanas de gestação!
Não a vou esquecer, nem vou deixar que se esqueçam que o luto por uma perda gestacional em qualquer trimestre de gravidez existe e tem que ser respeitado!
Tenho dito!
sexta-feira, outubro 03, 2014
quinta-feira, outubro 02, 2014
As quintas-feiras...
... continuam a ser muito dolorosas... Amo-te daqui até ao Céu Princesa, meu Anjo, minha filha...
Amar com um céu de distância é a tarefa mais desafiante que tenho na minha vida. A saudade dos 9 meses contigo e a saudade de um futuro que sonhámos e que não se tem é algo que só nos sabemos o quanto doi, o quanto arde cá dentro.
O vazio que ficou da tua partida é imensurável, nunca poderá ser preenchido e o espaço que ocupas no nosso coração nunca será esvaziado. És para sempre a nossa filha... todos os dias te amo mais, todos os dias a saudade cresce. Todos os dias vou ficando mais perto de ti, mais perto do nosso reencontro.
A palavra Amo-te é tão simples e tão aquém daquilo que sinto por ti... Amo-te tanto tanto...
Amar com um céu de distância é a tarefa mais desafiante que tenho na minha vida. A saudade dos 9 meses contigo e a saudade de um futuro que sonhámos e que não se tem é algo que só nos sabemos o quanto doi, o quanto arde cá dentro.
O vazio que ficou da tua partida é imensurável, nunca poderá ser preenchido e o espaço que ocupas no nosso coração nunca será esvaziado. És para sempre a nossa filha... todos os dias te amo mais, todos os dias a saudade cresce. Todos os dias vou ficando mais perto de ti, mais perto do nosso reencontro.
A palavra Amo-te é tão simples e tão aquém daquilo que sinto por ti... Amo-te tanto tanto...
terça-feira, setembro 30, 2014
Amor é...
... Arar a terra em forma de coração :)
Love is everywhere... até num monte perdido algures em trás-os-montes...
Love is everywhere... até num monte perdido algures em trás-os-montes...
domingo, setembro 28, 2014
E...
... Foi preciso chegar quase aos 40 anos para aprender e conseguir andar de skate.
Ok ok... ainda não ando enfiada nas "half pipes" aqui do burgo mas hoje já desci umas rampas :)
Quem tem um personal trainer como o meu tem tudo, vá lá que hoje não me mandou saltar 500 vezes num minuto :)
Achei incrível a forma como, passo a passo e com muita paciência, me ensinou a andar. Incrível como aquele menino às vezes parece um adulto em ponto pequeno... foi excelente a tarde que passámos juntos hoje, só nos os dois :)
Foi incrível ver a clareza de pensamento dele a falar da irmã e da eventualidade de outro irmão surgir. Há dias que este miudo me espanta com a sua sabedoria... não tenho dúvidas de me ter sido confiada uma alma antiga para cuidar.
Ok ok... ainda não ando enfiada nas "half pipes" aqui do burgo mas hoje já desci umas rampas :)
Quem tem um personal trainer como o meu tem tudo, vá lá que hoje não me mandou saltar 500 vezes num minuto :)
Achei incrível a forma como, passo a passo e com muita paciência, me ensinou a andar. Incrível como aquele menino às vezes parece um adulto em ponto pequeno... foi excelente a tarde que passámos juntos hoje, só nos os dois :)
Foi incrível ver a clareza de pensamento dele a falar da irmã e da eventualidade de outro irmão surgir. Há dias que este miudo me espanta com a sua sabedoria... não tenho dúvidas de me ter sido confiada uma alma antiga para cuidar.
sexta-feira, setembro 26, 2014
A felicidade incompleta...
Hoje alguém me disse que o luto das mães que perdem filhos nunca fica completo... Nunca se resolve, não se arruma...
Da minha experiência e do que vou observando nas mulheres que infelizmente partilham este caminho comigo (e eu com elas...) so consigo dizer: "é bem verdade sr dr".
Cheguei a um ponto do luto que sinto nada mais conseguir melhorar... É uma dor calma mas não deixa de ser uma dor. Penso na Júlia todos os dias, a toda a hora... Da mesma forma que penso no Alexandre, tal e qual. Amo-os da mesma forma, com o mesmo ardor e intensidade. A diferença é que o pensamento no Alexandre não tem mágoa, não tem dor, não tem a mesma saudade. O resto é igual...
A saudade por alguém que sabemos não voltar é como um "buraco negro" no espaço... Absorve tudo... É o vazio...
E este vazio não se vai preencher e o espaço que a Júlia ocupa no meu coração não vai esvaziar.
A vida segue e "funcionamos", uns dias de cabeça mais levantada e olhos mais ao alto que outros. Caminhamos na vida com uma alma que foi rasgada num certo dia sem anestesia e sempre em carne viva. Não ha analgésico que nos valha... E ao fim de uns tempos fazemos por sorrir ou sorrimos mesmo ou tentamos sorrir ou se calhar vamos sorrindo e vamos fazendo por ser felizes... E voltamos a ser felizes ou experienciamos uma nova felicidade. Sentimos aquela felicidade que nos permite (sobre)viver, que é a felicidade da sobrevivência. Acho que também lhe podemos chamar de "felicidade incompleta".
Da minha experiência e do que vou observando nas mulheres que infelizmente partilham este caminho comigo (e eu com elas...) so consigo dizer: "é bem verdade sr dr".
Cheguei a um ponto do luto que sinto nada mais conseguir melhorar... É uma dor calma mas não deixa de ser uma dor. Penso na Júlia todos os dias, a toda a hora... Da mesma forma que penso no Alexandre, tal e qual. Amo-os da mesma forma, com o mesmo ardor e intensidade. A diferença é que o pensamento no Alexandre não tem mágoa, não tem dor, não tem a mesma saudade. O resto é igual...
A saudade por alguém que sabemos não voltar é como um "buraco negro" no espaço... Absorve tudo... É o vazio...
E este vazio não se vai preencher e o espaço que a Júlia ocupa no meu coração não vai esvaziar.
A vida segue e "funcionamos", uns dias de cabeça mais levantada e olhos mais ao alto que outros. Caminhamos na vida com uma alma que foi rasgada num certo dia sem anestesia e sempre em carne viva. Não ha analgésico que nos valha... E ao fim de uns tempos fazemos por sorrir ou sorrimos mesmo ou tentamos sorrir ou se calhar vamos sorrindo e vamos fazendo por ser felizes... E voltamos a ser felizes ou experienciamos uma nova felicidade. Sentimos aquela felicidade que nos permite (sobre)viver, que é a felicidade da sobrevivência. Acho que também lhe podemos chamar de "felicidade incompleta".
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