Quem me conhece e também quem nos visita aqui no blog sabe que passei por uma depressão pós-parto. Há algum tempo que quero falar disto uma vez que não é um "animal raro", afecta muitas e muitas mulheres e considero que não há que ter vergonha em falar destas coisas. Nem o facto de publicar isto me fragiliza de alguma maneira. Sinto que devo publicar e este post é dirigido principalmente a mulheres que passam ou passaram por isto e aos seus familiares/amigos mais próximos uma vez que são eles os que mais poderão ajudar. Escrevi este texto para um boletim informativo há 2 meses atrás mas na altura preferi manter o anonimato e não o publiquei aqui por falta de coragem. Espero conseguir ajudar alguém nem que seja a sentir-se menos só uma vez que é um sentimento que nos assalta quando estamos assim. O sentimento de estarmos sozinhas mesmo quando rodeadas de muita gente, mesmo que essa gente seja gente que nos ame, gente que nutre amizade por nós. Tenho notado que existe uma certa vergonha em falar disto mesmo entre mulheres. Não há que ter vergonhas, nós que passamos por isto amamos os nossos filhos com a mesma intensidade que quem não passa por isto, esforçamo-nos por dar o nosso melhor a cuidar dos nossos filhos da mesma maneira, não somos inferiores nem mais fracas, a vida apenas nos pregou uma partida...
Aqui vai o texto:
O nascimento de um filho deveria ser o período mais feliz de uma mulher mas, infelizmente, não o é para algumas e para mim não o foi. Os primeiros meses de vida do meu filho foram vividos com muita felicidade mas também com muita dor, receios e angústias, foi um período difícil e complicado que não estava nada à espera. O meu filho foi planeado e muito desejado. Tinha a certeza de que tudo iria correr bem desde a concepção até ao parto e que o seu nascimento me iria trazer plena felicidade, satisfação e realização como mulher. Nunca pus em causa que algo poderia correr mal, sempre tive uma visão optimista da vida e quando me diagnosticaram um ovo cego na minha primeira gravidez (um ano antes do nascimento do meu filho) foi para mim uma grande tristeza e desolação mas tentei seguir em frente. Penso que ainda não me tinha refeito totalmente dessa perda quando engravidei novamente e que isso provavelmente também tenha contribuído para a minha depressão pós-parto. Durante esta segunda gravidez que foi maravilhosa, perdi o meu emprego o que me trouxe alguma angústia mas, por outro lado, a felicidade de poder vir a desfrutar mais tempo com o meu filho. Para dizer a verdade não foi a perda do emprego que me angustiou mas sim os salários e férias em atraso. O dia do parto chegou e com ele a imensa felicidade de poder conhecer aquele que eu tinha aconchegado no meu ventre durante 9 meses. Entrei em trabalho de parto em casa durante a noite, cada contracção trazia felicidade, unia-me ao meu bebé, sabia que estava a chegar a hora de o ter nos meus braços pela primeira vez, estava feliz, queria muito parir o meu filho de modo natural. Mas ao fim de um trabalho de parto com dilatação completa e período expulsivo de cerca de uma hora ele não desceu para o canal de parto e encaminharam-me para uma cesariana de urgência. Eu estava preparada para tudo menos para uma cesariana de urgência. Perdi o maior acontecimento da minha vida. À felicidade do nascimento do meu filho juntou-se o sentimento de frustração, desgosto e incompetência de não ter conseguido parir. Durante a estadia na maternidade, não podia passar em frente à porta da sala de partos sem sentir profunda tristeza, não podia ouvir parturientes a terem os seus filhos sem sentir muita irritação e pena de mim mesma por não ter conseguido o que elas estavam a conseguir. Para não me verem chorar ia para a casa de banho e ficava lá algum tempo até a angústia passar ou embrulhava-me nos lençóis e chorava baixinho de modo a ninguém perceber. Costumava dizer que o meu parto tinha sido como uma ida a um hipermercado, em que chegamos, compramos e já está, uma vez que não tinha presenciado o seu nascimento, que não o tinha sentido nem visto nascer. Sentia-me meia desligada do meu filho apesar de todo o amor e atenção que lhe dedicava era um misto de muita felicidade mas também muita tristeza, nem sei explicar bem. Sentia-me imensamente feliz pela maternidade e muito angustiada por outro. Vim para casa pensando que esta angústia e irritação deviam ser só cansaço uma vez que não conseguia dormir na maternidade, mas o certo é que continuei a sentir-me desgostosa, triste, sem vontade de fazer nada, de ver ou falar com ninguém, sem conseguir dormir. Havia dias em que me apetecia mesmo voltar atrás no tempo, em que punha em causa a minha vontade de ter um filho. A única coisa que me ligava ao meu filho e me trazia muita felicidade e algum descanso era amamentá-lo. Dar-lhe de mamar, fazia-me sentir mãe, sentia o meu filho como meu. Mas até isso se revelou difícil. Houve uma semana, em que ele não fez mais nada senão chorar talvez percebendo o meu estado de espírito. Eu colocava-o na mama e ele não mamava ou mamava pouco e eu também não fazia mais nada senão chorar nos períodos em que ele dormia o que se traduziu num aumento de apenas 50gramas de peso. Falei com a pediatra e durante essa conversa disse-me que ele tinha passado fome nessa semana. Derreti-me em lágrimas, se antes me sentia mal, depois do impacto dessa conversa senti-me a pior e a mais incompetente das mulheres e das mães. A pediatra recomendou-me comprar uma bomba de extracção de leite mas aquela conversa fez com que nesse dia não tivesse pinga de leite. Chorei até não poder mais e fui à farmácia comprar a lata de leite que a pediatra tinha aconselhado e um biberão. Se antes me sentia incompetente, agora estava mesmo destroçada. No dia seguinte, já mais calma, tentei tirar leite à bomba e consegui tirar 120ml a quantidade que um recém-nascido bebe segundo a pediatra. Resolvi então dar-lhe de mamar e tirar leite à bomba para lhe dar como complemento, pois queria muito que ele bebesse do meu leite. Queria sentir-me mãe dele e sabia que a única forma era essa. O que aconteceu foi que com o passar dos dias o meu filho passava cada vez menos tempo na mama e cada vez mais tempo no biberão do meu leite. A minha vontade que ele bebesse do meu leite era tão grande que de noite chegava a levantar-me uma hora mais cedo para que ele pudesse ter o leite pronto para mamar e nos intervalos das mamadas de dia tirava leite à bomba numa tentativa de aumentar a produção, o que consegui. O meu filho engordava normalmente mas cada vez mais me rejeitava o peito. Passado um mês ou mês e meio, a conselho da pediatra resolvi retirar-lhe o biberão uma vez que não fazia sentido esta situação. Foi um período difícil uma vez que o meu filho rejeitava o peito e chorava imenso. A pediatra e uma enfermeira amiga diziam-me para insistir com o peito que ele mais cedo ou mais tarde havia de querer e foi assim mesmo, ao fim de uma semana a mamar quase de hora a hora porque ele insistia que queria o biberão e como tal mamava pouco ao peito, de muito choro dele e meu também, consegui que ele voltasse a preferir o peito ao biberão. Foi muito difícil uma vez que tirando o apoio da pediatra, de uma enfermeira amiga e de uma amiga que passava pela mesma situação, todos os restantes achavam que estava obcecada em querer amamentar o meu filho e insistiam de certa forma para que eu desistisse, alegando que eu estava obcecada, que o meu leite não devia ter qualidade, que ele não gostava de mamar, que já tinha feito o que podia e outras tantas frases que já nem eu me lembro; Eu também cheguei a achar que estava obcecada com a amamentação mas o facto era que eu não queria perder outra experiência, não queria desistir, queria que o meu filho tivesse o melhor, sentia que se deixasse de amamentar nunca me curaria, nunca voltaria a ser a mulher de antigamente, sentia que iria ser posta de lado, que o meu filho iria preferir outros braços para beber o leite, tal era a minha tão baixa auto-estima na altura. Cheguei a consultar um médico devido a esta depressão que quis que eu começasse um tratamento com fluoxetina pois disse-me que tinha de ser medicada para superar a depressão, mas recusei o tratamento uma vez que teria de deixar de amamentar e amamentar era muito importante para mim pois além de todos os benefícios que dava ao meu filho, eu sabia que era o meu caminho para a cura. A minha ginecologista numa consulta de rotina, receitou-me valdispert que tomei durante uns tempos uma vez que segundo ela era um produto natural e que poderia continuar a amamentar, mas acabei por desistir de tomar uma vez que a cura passa muito por nos querermos curar e sair da depressão. Hoje, olhando para trás vejo que o facto de amamentar o meu filho ajudou-me a criar uma ligação muito profunda com ele, ajudou-me a ultrapassar esta depressão pós-parto. Tomei novamente as rédeas da minha vida, tentei e estou a reencontrar-me, a gostar mais de mim como mulher e como mãe, tenho reflectido muito no que me aconteceu e nos seus porquês, tento aprender com toda esta experiência, fazer algumas coisas que me dão prazer e viver um dia após o outro sem pressas. Hoje posso dizer que a maternidade me realiza, sinto-me feliz por ser mãe, estou a sentir-me uma nova mulher. Ainda tenho os meus dias menos bons, mas quem não os tem? Tento torná-los mais belos e melhores tendo “pensamentos felizes”.
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terça-feira, setembro 05, 2006
quarta-feira, março 22, 2006
Chuva...
Hoje não fez mais nada senão chover... e eu sinto-me como o tempo, triste.
Tanto trabalho para fazer e falta-me coragem, tempo...
O meu filho não me deu grande espaço de manobra, birrinhas para tudo e para nada.... numa atitude desesperada, ao meio da tarde coloquei o protector de chuva no carrinho e lá fui à farmácia e à retrosaria aqui bem perto de casa. Fez-lhe bem. Ao regessar a casa, após mamar lá adormeceu...
Acordou por volta das 7 da tarde mais bem disposto, tentei dar-lhe a sopa, o iogurte e a fruta mas pouco comeu. jantei. Dei-lhe banho e mama e quando parecia que tinha adormecido levantei-me da cama para vir trabalhar mais um pouco. Enganei-me... ele não estava adormecido. Agora brinca aqui ao meu lado. Hoje experimentámos o brinquedo que a minha madrinha lhe trouxe pelo natal. Haviam de o ver com ar espantado a olhar para as bolinhas que sobem e depois descem por um escorrega. Agora apanhou a bolinha vermelha e brinca com ela... acabou de a colocar no brinquedo. O meu filho é esperto, é observador, é inteligente, é lindo. Sabiam que este brinquedo é recomendado só a partir dos 9 meses?
Muito obrigada madrinha pelo presente :)
Hoje à noite estou sozinha... sinto-me sozinha... há muito tempo que me sinto sozinha... faz-me falta a minha família, os amigos que deixei quando me mudei para cá, os amigos da universidade, a Tuna. Há já 6 anos que deixei a universidade e parece que foi ontem, há quase 4 que saí da Associação de Municípios (sem dúvida alguma o melhor emprego que já tive tanto pelo trabalho como pelos amigos com quem tive o privilégio de trabalhar.... não vos estou a dar graxa não!! vocês sabem que é verdade :D) ... que saudades...
A nível profissional desde que vim para cá tem sido uma desgraça... a ultima empresa onde trabalhei faliu. Por outro lado a nível sentimental é sempre a lucrar :) estou cada vez mais rica se até há 7 meses tinha 1 grande amor, agora tenho dois (mais ou menos como o Marco Paulo :D )
Por falar em amores, o mais pequeno refila, parece que finalmente quer dormir.
Fiquem bem. beijos
Pensamento feliz: os sorrisos e gargalhadas do Alexandre quando brincamos...
Tanto trabalho para fazer e falta-me coragem, tempo...
O meu filho não me deu grande espaço de manobra, birrinhas para tudo e para nada.... numa atitude desesperada, ao meio da tarde coloquei o protector de chuva no carrinho e lá fui à farmácia e à retrosaria aqui bem perto de casa. Fez-lhe bem. Ao regessar a casa, após mamar lá adormeceu...
Acordou por volta das 7 da tarde mais bem disposto, tentei dar-lhe a sopa, o iogurte e a fruta mas pouco comeu. jantei. Dei-lhe banho e mama e quando parecia que tinha adormecido levantei-me da cama para vir trabalhar mais um pouco. Enganei-me... ele não estava adormecido. Agora brinca aqui ao meu lado. Hoje experimentámos o brinquedo que a minha madrinha lhe trouxe pelo natal. Haviam de o ver com ar espantado a olhar para as bolinhas que sobem e depois descem por um escorrega. Agora apanhou a bolinha vermelha e brinca com ela... acabou de a colocar no brinquedo. O meu filho é esperto, é observador, é inteligente, é lindo. Sabiam que este brinquedo é recomendado só a partir dos 9 meses?
Muito obrigada madrinha pelo presente :)
Hoje à noite estou sozinha... sinto-me sozinha... há muito tempo que me sinto sozinha... faz-me falta a minha família, os amigos que deixei quando me mudei para cá, os amigos da universidade, a Tuna. Há já 6 anos que deixei a universidade e parece que foi ontem, há quase 4 que saí da Associação de Municípios (sem dúvida alguma o melhor emprego que já tive tanto pelo trabalho como pelos amigos com quem tive o privilégio de trabalhar.... não vos estou a dar graxa não!! vocês sabem que é verdade :D) ... que saudades...
A nível profissional desde que vim para cá tem sido uma desgraça... a ultima empresa onde trabalhei faliu. Por outro lado a nível sentimental é sempre a lucrar :) estou cada vez mais rica se até há 7 meses tinha 1 grande amor, agora tenho dois (mais ou menos como o Marco Paulo :D )
Por falar em amores, o mais pequeno refila, parece que finalmente quer dormir.
Fiquem bem. beijos
Pensamento feliz: os sorrisos e gargalhadas do Alexandre quando brincamos...
terça-feira, março 21, 2006
Primavera...
Hoje foi um verdadeiro dia de Primavera, um solzinho quentinho, uma chuvinha à hora de almoço e um solzinho até ao final da tarde, tudo regadinho com uma leve brisa fesquinha, uma maravilha! Só foi pena não ter tido tempo para um passeiozinho com o Alexandre.
O Alexandre esteve particularmente bem diposto durante todo o dia, agora faz uma sestazita antes do jantar :D, sim porque este rapaz gosta de uma sestinha de 1hora depois do almoço e outra de 1hora antes do jantar... é um lorde o meu leãozito.
Para o almoço dele, resolvi acrescentar um legume novo à sopita: o Tomate. A sopa tinha feijão verde, alho francês, nabo, batata doce, tomate, um bocadinho quase nada de couve flor e cenoura. grelhei um bifinho de peru à parte e depois de o picar no 123 acrescentei à sopa. Hoje foi dos raros dias em que ele abriu a boca para comer a sopa, um primeiro danoninho e um bocadinho de fruta. Isto de grelhar a carne à parte e juntá-la à sopa dá um sabor e uma textura diferentes que lhe agrada.
De há uns dias para cá tenho-me sentido melhor, não sei se é do valdispert (deve ser...) mas apesar de eles serem fraquinhos têm "trabalhado" em condições. Deus queira que não tenha que tomar o raio da fluoxetina, quero muito sentir-me bem para não ter de os tomar. Sinto-me mais leve, mais em paz comigo mesma, com mais paciência, não tenho tido pesadelos e as insónias estão a tornar-se cada vez mais raras mas sobretudo não tenho pensado muito nas coisas menos boas da minha vida que me levaram à depressão pós parto, o que é óptimo! de vez em quando lá vem uma lagrimazita ou um momento menos bom mas passam :)
No mês que vem vou retomar as aulas de body step... que saudades!!! há mais de 1 ano que não faço nem body step nem body pump, apenas voltei a fazer body balance depois do parto mas já sinto tanta falta!!!!...
Por falar nisso... tenho que ir equipar-me a aula está prestes a começar. Fiquem bem
beijos
Pensamento Feliz do dia: O Alexandre a sorrir enquanto dorme :)
O Alexandre esteve particularmente bem diposto durante todo o dia, agora faz uma sestazita antes do jantar :D, sim porque este rapaz gosta de uma sestinha de 1hora depois do almoço e outra de 1hora antes do jantar... é um lorde o meu leãozito.
Para o almoço dele, resolvi acrescentar um legume novo à sopita: o Tomate. A sopa tinha feijão verde, alho francês, nabo, batata doce, tomate, um bocadinho quase nada de couve flor e cenoura. grelhei um bifinho de peru à parte e depois de o picar no 123 acrescentei à sopa. Hoje foi dos raros dias em que ele abriu a boca para comer a sopa, um primeiro danoninho e um bocadinho de fruta. Isto de grelhar a carne à parte e juntá-la à sopa dá um sabor e uma textura diferentes que lhe agrada.
De há uns dias para cá tenho-me sentido melhor, não sei se é do valdispert (deve ser...) mas apesar de eles serem fraquinhos têm "trabalhado" em condições. Deus queira que não tenha que tomar o raio da fluoxetina, quero muito sentir-me bem para não ter de os tomar. Sinto-me mais leve, mais em paz comigo mesma, com mais paciência, não tenho tido pesadelos e as insónias estão a tornar-se cada vez mais raras mas sobretudo não tenho pensado muito nas coisas menos boas da minha vida que me levaram à depressão pós parto, o que é óptimo! de vez em quando lá vem uma lagrimazita ou um momento menos bom mas passam :)
No mês que vem vou retomar as aulas de body step... que saudades!!! há mais de 1 ano que não faço nem body step nem body pump, apenas voltei a fazer body balance depois do parto mas já sinto tanta falta!!!!...
Por falar nisso... tenho que ir equipar-me a aula está prestes a começar. Fiquem bem
beijos
Pensamento Feliz do dia: O Alexandre a sorrir enquanto dorme :)
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