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sexta-feira, setembro 26, 2014

A felicidade incompleta...

Hoje alguém me disse que o luto das mães que perdem filhos nunca fica completo... Nunca se resolve, não se arruma...

Da minha experiência e do que vou observando nas mulheres que infelizmente partilham este caminho comigo (e eu com elas...) so consigo dizer: "é bem verdade sr dr".

Cheguei a um ponto do luto que sinto nada mais conseguir melhorar... É uma dor calma mas não deixa de ser uma dor. Penso na Júlia todos os dias, a toda a hora... Da mesma forma que penso no Alexandre, tal e qual. Amo-os da mesma forma, com o mesmo ardor e intensidade. A diferença é que o pensamento no Alexandre não tem mágoa, não tem dor, não tem a mesma saudade. O resto é igual...

A saudade por alguém que sabemos não voltar é como um "buraco negro" no espaço... Absorve tudo... É o vazio...

E este vazio não se vai preencher e o espaço que a Júlia ocupa no meu coração não vai esvaziar.

A vida segue e "funcionamos", uns dias de cabeça mais levantada e olhos mais ao alto que outros. Caminhamos na vida com uma alma que foi rasgada num certo dia sem anestesia e sempre em carne viva. Não ha analgésico que nos valha... E ao fim de uns tempos fazemos por sorrir ou sorrimos mesmo ou tentamos sorrir ou se calhar vamos sorrindo e vamos fazendo por ser felizes... E voltamos a ser felizes ou experienciamos uma nova felicidade. Sentimos aquela felicidade que nos permite (sobre)viver, que é a felicidade da sobrevivência. Acho que também lhe podemos chamar de "felicidade incompleta".
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