Lilypie - Memorial

Lilypie - Kids Birthday

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terça-feira, Setembro 30, 2014

Amor é...

... Arar a terra em forma de coração :)

Love is everywhere... até num monte perdido algures em trás-os-montes...


domingo, Setembro 28, 2014

E...

... Foi preciso chegar quase aos 40 anos para aprender e conseguir andar de skate.
  Ok ok... ainda não ando enfiada nas "half pipes" aqui do burgo mas hoje já desci umas rampas :)

Quem tem um personal trainer como o meu tem tudo, vá lá que hoje não me mandou saltar 500 vezes num minuto :)
Achei incrível a forma como, passo a passo e com muita paciência, me ensinou a andar. Incrível como aquele menino às vezes parece um adulto em ponto pequeno... foi excelente a tarde que passámos juntos hoje, só nos os dois :)
Foi incrível ver a clareza de pensamento dele a falar da irmã e da eventualidade de outro irmão surgir. Há dias que este miudo me espanta com a sua sabedoria... não tenho dúvidas de me ter sido confiada uma alma antiga para cuidar.

hum...

... O nosso almoço hoje... :)


sexta-feira, Setembro 26, 2014

A felicidade incompleta...

Hoje alguém me disse que o luto das mães que perdem filhos nunca fica completo... Nunca se resolve, não se arruma...

Da minha experiência e do que vou observando nas mulheres que infelizmente partilham este caminho comigo (e eu com elas...) so consigo dizer: "é bem verdade sr dr".

Cheguei a um ponto do luto que sinto nada mais conseguir melhorar... É uma dor calma mas não deixa de ser uma dor. Penso na Júlia todos os dias, a toda a hora... Da mesma forma que penso no Alexandre, tal e qual. Amo-os da mesma forma, com o mesmo ardor e intensidade. A diferença é que o pensamento no Alexandre não tem mágoa, não tem dor, não tem a mesma saudade. O resto é igual...

A saudade por alguém que sabemos não voltar é como um "buraco negro" no espaço... Absorve tudo... É o vazio...

E este vazio não se vai preencher e o espaço que a Júlia ocupa no meu coração não vai esvaziar.

A vida segue e "funcionamos", uns dias de cabeça mais levantada e olhos mais ao alto que outros. Caminhamos na vida com uma alma que foi rasgada num certo dia sem anestesia e sempre em carne viva. Não ha analgésico que nos valha... E ao fim de uns tempos fazemos por sorrir ou sorrimos mesmo ou tentamos sorrir ou se calhar vamos sorrindo e vamos fazendo por ser felizes... E voltamos a ser felizes ou experienciamos uma nova felicidade. Sentimos aquela felicidade que nos permite (sobre)viver, que é a felicidade da sobrevivência. Acho que também lhe podemos chamar de "felicidade incompleta".

quarta-feira, Setembro 24, 2014

Nascer em silêncio... no silêncio...

...Não pode continuar a ser assunto "tabu", quebrar o silêncio é obrigatório.
Um filho não pode ser esquecido, um filho não é substituível.

A Júlia é a minha segunda filha, nascida adormecida de uma gravidez de termo.

Não peçam para que esqueça, não digam que Deus quis assim ou assado ou que era pior assim ou assado, que temos de seguir em frente ou que falando dela e sofrendo por ela não os deixamos partir. Não insinuem para "atirar" para trás das costas. Não desvalorizem... fazendo assim criam ainda mais dor.

Eu não torno as coisas mais duras do que elas são a falar da minha filha Júlia, eu dou-lhe a dimensão que tem. É demasiado duro perder um filho!

A minha filha nasceu assim... no silêncio e em silêncio às 38 semanas e 4 dias de gestação de parto vaginal induzido... um parto duro e dificil fisicamente mas muito mais duro e difícil emocionalmente e voltar para casa de colo vazio e tudo o que acarreta uma morte numa gravidez de termo é... não há palavras para descrever... o que sinto cá dentro é só meu... tão solitariamente meu...




Despedida...

Há 7 meses atrás despedia-me de ti por esta hora... do teu corpinho perfeito. A tua alma sei que está sempre presente comigo, nunca deixaste de viver dentro de mim, nunca deixarás. Há 7 meses atrás por esta hora, entrava na capela do crematório para ter a visão mais aterradora e dolorosa da minha vida, ver o teu caixãozinho branco... perceber que afinal não era um pesadelo, a tua partida era bem real, tão desgraçadamente real. Não me lembro da cerimónia nem do que foi dito mas acredito que deva ter sido quase tão linda como tu.
Não te vi vestida com a roupa que tinha escolhido para ser a tua primeira roupa. Aquela roupa que escolhi com tanto amor e que sonhei tantas vezes ser eu quem te iria vestir. Aquela roupa que acabou por ser a tua roupa de viagem até ao Céu.
Acabei por não te vestir, optei por não te ver na cerimónia... Sei que devias estar linda e que te vestiram com muito carinho e respeito mas não consegui. Prefiro lembrar-me para sempre de ti rosadinha, quentinha e cheirosa como quando acabaste de nascer. Tu és tão linda minha filha e em tão curto espaço de tempo da tua vida fizeste tanto por nós... tanto!.
Descansa em paz até ao nosso reencontro.
Faço por viver a minha vida o melhor possível contigo gravada no meu peito e na minha alma, viverás comigo e através de mim sempre!.
Sou feliz por ti e pelo teu mano. A minha vida só tem um sentido, o sentido dos meus filhos...
Amo-vos hoje e para sempre

A vossa para sempre perdidamente apaixonada, Mãe 

sábado, Setembro 20, 2014

7 meses...

... e parece que foi ontem.
A esta hora estava a tentar fazer-te nascer, a fazer nascer a minha filha adormecida, a fazer nascer o meu segundo grande amor para logo depois ter de te deixar partir.
O teu nascimento e as horas que estivemos contigo depois foi o mais doloroso e ao mesmo tempo o mais feliz que tive na minha vida.
Ao menos contigo estive sempre consciente, estive sempre contigo... coisa que não me foi permitido no nascimento do teu irmão.
Ai meu Deus... cuida bem da minha filha...
Amo-te daqui até ao céu e mais além princesa... Feliz mesiversário

quinta-feira, Setembro 11, 2014

Esta...


... Esta dor que arde, corroi e me mata todos os dias mais um bocadinho é também a que me permite viver, ser feliz e seguir em frente.
 
É uma dor que amo profundamente pois ela lembra-me todos os dias a minha história de vida que não quero esquecer. 
 
Estou bem e permito-me ser feliz e deixo que a felicidade entre aos poucos na minha vida... aprecio o que tem de ser apreciado, dou importância ao que realmente importa. 

As quintas feiras custam...especialmente as quintas feiras com o brilho de luz matinal daquela quinta feira, as quintas feiras hão-de custar sempre...
 
Como uma fenix, entrei em combustão e morri naquele dia com a minha filha... e das minhas cinzas de aroma agradável estou a reerguer-me numa nova mulher com a certeza de que este amor que sinto pelos meus filhos cresce com a passagem do tempo e é para sempre.

terça-feira, Agosto 26, 2014

6 meses...

... 6 meses a 20 de Agosto, um dia depois do Piriri mais velho fazer 9 anos. Tem dias que me sinto algo mal por ter tornado este blog o blog da memória da Júlia mas o meu filho está sempre aqui ao pé de mim... a minha filha não. Hoje apetece-me escrever sobre isto da morte de alguém, da morte de um filho, da minha filha.
 

Quando a minha filha morreu só participei o falecimento dela depois de lhe fazer o funeral. No dia apenas os nossos pais, os nossos irmãos e 2 amigas muito próximas (que considero irmãs) souberam. A última coisa que eu queria era ver gente mas especialmente ouvir gente e não me arrependo. 
A maioria abre a boca para tentar ajudar mas a maioria não sabe o que dizer ou fazer; ou melhor o que não dizer e o que não fazer... 

Na verdade, só queremos é que nos deixem em paz, que o telefone não toque que não esteja ninguém a carregar nas campainhas, queremos que nos deixem em paz! Entristece perceber que há gente que não compreende a nossa necessidade de recolhimento, de estarmos fechados no nosso ninho, de não querer falar nem ver ninguém e então insistem e na falta de resposta nossa ficam incomodados como se nós tivessemos obrigação em dar qualquer resposta.
 

E é estranho perceber que quando uma desgraça destas nos cai em cima, toda a gente acha que estamos afastados da nossa capacidade de discernimento... de repente é como se estivessemos "maluquinhos" já que parece que não sabemos pensar, que não sabemos fazer nada, que não podemos estar sozinhos, etc etc etc... que devíamos fazer isto ou aquilo. Que porra! Não basta ter que se lidar com a morte de um filho ainda temos que lidar com tantas outras coisas que são tão escusadas e ouvir tantas barbaridades que nem lembra ao diabo!

Se choramos há quem diga que não devíamos chorar e consideram logo que estamos em depressão profunda e em vias de nos suicidar, se por outro lado não choramos é porque estamos a relativisar e estamos em negação e devíamos chorar... 

Se fomos logo trabalhar devíamos descansar, se nos fechamos em casa e descansamos acham que "estamos a morrer" e que devíamos trabalhar porque o trabalho ajuda a esquecer (como se fosse possível esquecer a morte de um filho!)

E lá acabamos por não conseguirmos ser nós próprios e sentimo-nos completamente "fora da bolha".
E isto fez com que acabasse por me afastar de (quase) toda a gente e fazer por conhecer gente que não sabia da morte da minha filha porque não aguentava mais... só o facto de ver algumas pessoas me lembrava (e lembra ainda) a morte da minha filha. Havia também outras que com a sua boa intenção e com a sua vontade de ajudar ainda me faziam pior, ora porque relativisavam demais, ora porque dramatizavam demais.

A dor da perda de um filho é inimaginável, podem ler-se milhentos textos, ver-se milhentos filmes mas ficarão sempre aquém do que verdadeiramente se sente... e ainda bem que é assim, que só quem passa mesmo é que sabe, porque esta dor é de loucos!.

O que tenho aprendido ao longo destes 6 meses é que a grande grande grande maioria das pessoas não sabe como lidar com a morte e muito menos com este tipo de morte e lidar com pessoas em luto faz-nos ver de frente a nossa própria mortalidade e é lixado.

 
Mas sim... há vida depois da morte de um filho, "life goes on" (que remédio) e o life goes on ainda se torna mais premente se houver outros filhos... mas a dor, a falta, a saudade, a saudade de um futuro perdido com esse filho fica para sempre e vai para além da aceitação da morte ou da fé de um reencontro no "Além" ou noutra reencarnação...


E pronto... e é isto.