Lilypie - Memorial

Lilypie - Kids Birthday

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quarta-feira, dezembro 17, 2014

10 Anos!

...Há precisamente 10 anos tinha a confirmação que vinhas a caminho meu Leãozinho aos caracóis que já não tem caracóis.
Foi o melhor presente de Natal que alguma vez poderia ter tido na vida!
Amo-te muito meu filho.
Obrigada por fazeres parte da minha vida...



segunda-feira, dezembro 08, 2014

Agora e...

 ...a caminho do 10º mês da tua partida tão repentina e tão dolorosa, dou por mim a pensar no Natal do ano passado, dos sonhos, da esperança e felicidade de um futuro contigo, de um futuro risonho a 4.

Este ano peço ao Pai Natal nunca reviver 2014.

Que 2014 faleça a 31 de Dezembro e que nunca mais volte que já vai tarde! Que venha outro 2013 por exemplo que eu não me importo, fomos tão felizes em 2013...

Que 2015 nos traga uma terceira viagem, um novo futuro risonho, e se possível novamente cor de rosa...


(1 Dezembro de 2013 no tempo em que a vida era perfeita e fazíamos projetos de um futuro contigo Jú)

domingo, dezembro 07, 2014

Meus filhos...

Há um ano atrás tirávamos esta foto os 3... 2013 foi sem dúvida o ano mais feliz da minha vida e eu não sabia. Como mulher insatisfeita por natureza e exigente ao ponto de querer sempre mais e mais tinha sonhos e esperanças de que 2014 superasse 2013.

E superou...

Pela negativa no que respeita à felicidade e antagonicamente pela positiva em termos de ensinamento do que realmente é importante, da capacidade do ser humano poder morrer em vida e de voltar a nascer mais forte e melhor, da descoberta da capacidade de amar com um Céu de distância. Pela positiva no sentido de perceber a dimensão do amor dos que nos rodeiam e das pessoas maravilhosas que conheci e que partilham um destino de vida similar.

2014 trouxe o pior da vida mas trouxe à superfície o melhor de mim. Trouxe a sabedoria do que realmente faz falta, do que realmente importa viver, da vida das coisas em detrimento das coisas da vida.

Amores da minha vida, carne da minha carne...

Gratidão infinita ao Universo por me ter escolhido para ser a vossa mãe, por poder cuidar de ti Alexandre e ajudar-te a crescer, pelo ensinamento que foi e é ser tua mãe Jú, ser mãe de um Anjo Rosa no Céu...

Este Amor não tem dimensão, não tem espaço... é amor puro, que não espera nada em troca. Amo pelo prazer de vos amar...

Este Amor estala-me a alma e fá-la crescer para albergar este sentimento tão profundo e tão visceral que me acompanha e cresce a cada instante que passa...
"Amo-vos" é de facto uma palavra que fica bem aquém daquilo que sinto...



sexta-feira, dezembro 05, 2014

Como é que se esquece...

Como é que se esquece alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa, como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já não está lá?
As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tente esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou de coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso primeiro aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados, se tivessem apenas o peso que têm em si: isto é, se os livrássemos da carga que lhe damos, aceitando que não tem solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença do que se padeceu. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembrança, na esperança de ele se cansar.
Porque é que é sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos? O cansaço faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós. O cansaço é uma coisa que só o amor compreende. A minha mãe. O meu amor. E a felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos partilhar. É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.

As pessoas nunca deveriam morrer, nem deixarem de se amar, nem separar-se, nem esquecer-se, mas morrem e deixam e separam-se e esquecem-se. Custa aceitar que os mais velhos, que nos deram vida, tenham de dar a vida para poderem continuar vivos dentro de nós. Mas é preciso aceitar. É preciso aceitar. É preciso sofrer, dar urros, murros na mesa, não perceber. E aceitar. Se as pessoas amadas fossem imortais perderíamos o coração. Perderíamos a religiosidade, a paciência, a humanidade até.
Há uma presença interior, uma continuação em nós de quem desapareceu, que se ressente do confronto com a presença exterior. É por isso que nunca se deve voltar a um sítio onde se tenha sido feliz. Todas as cidades se tornam realmente feias, fisicamente piores, à medida que se enraízam e alindam na memória que guardamos delas no coração. Regressar é fazer mal ao que se guardou.

Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento, as pessoas que se amam mas não se dão bem, só conseguem amar-se bem quando não se dão. Mas como esquecer? Como deixar acabar aquela dor? É preciso paciência. É preciso sofrer. É preciso aguentar.
Há grandeza no sofrimento. Sofrer é respeitar o tamanho que teve um amor. No meio do remoinho de erros que nos revolve as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor temos de encontrar a raiz daquela paixão, a razão original daquele amor.


Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas das Caraíbas, livros de poesia- só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar fôlego. Esta dor tem de ser aguentada e bem sofrida com paciência e fortaleza. Ir a correr para debaixo das saias de quem for é uma reacção natural, mas não serve de nada e faz pouco de nós próprios. A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem até uma estranha beleza. Nós somos feitos para aguentar com ela.

Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isso não tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada por Ter sido apanhada na via pública, como um bicho preto e feio, um parasita de coração, uma peste inexterminável barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.

O que é preciso é igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer é preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne.
E mesmo assim, mesmo magoado, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os braços já não conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestida de preto, aos soluços, dobrada sobre a areia de Nazaré, mesmo com muita paciência e muita má vontade, mesmo assim é possível que não se consiga esquecer nem um bocadinho.
Quanto mais fácil amar e lembrar alguém – uma mãe, um filho, um amigo, um grande amor – mais fácil deixar de amá-lo e esquecê-lo.
Raio de sorte, ó lindeza, miséria suprema do amor. Pode esquecer-se quem nos vem à lembrança, aqueles de quem nos lembramos de vez em quando, com dor ou alegria, tanto faz, com tempo e paciência, aqueles que amamos com paciência, aqueles que amamos sinceramente, que partiram, que nos deixaram, vazios de mãos e cheios de saudades, esses doem-se e depois esquecem-se mais ou menos bem.
E quando alguém está sempre presente?
Quando é tarde. Quando já não se aguenta mais. Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.
Como é que se pode esquecer o que só se consegue lembrar?
Aí está o sofrimento maior de todos. O luto verdadeiro.

Aí está a maior das felicidades.

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, novembro 17, 2014

Hoje...

... Hoje completam-se 38s+4d da tua partida...

A partir de hoje passas a estar há mais tempo no sítio onde os Anjos como tu moram do que aqui connosco...

Amo-te daqui até ao Céu e mais além filha

Abraços e beijos do tamanho das dimensões que nos separam, da tua e para sempre Mãe...

quinta-feira, novembro 13, 2014

38 semanas...

...passaram 38 semanas... daqui a 4 dias há tanto tempo no Céu como aqui...

É insuportável não conseguir deixar de ter a perceção dos dias, das semanas, da dor, da saudade... tudo mais parece tão pequenino, tão insignificante... os factos da vida são apenas e só tretas...

Já é insuportável ouvir a palavra" força"... até parece que se trata de levantar pesos. A palavra "ultrapassar" é abominável e normalmente dita porque quem vive na felicidade da profunda ignorância de achar que se supera a morte de alguém tão visceralmente ligado a nós como um filho.

"Ultrapassar" só ganha dimensão se o assunto for exceder os limites do que alguma vez se achou que se pudesse sentir, relativisar questões menores e vencer a inércia constante que teima em fazer-nos fechar os olhos e parar de respirar...