Lilypie - Memorial

Lilypie - Kids Birthday

...

sábado, fevereiro 20, 2016

Carta Para Júlia da Tia Tainá

Hoje escrevo para ti, Jú. Não faço ideia se já sabes ler, mas suponho que o facto de estares aí em cima te dê privilégios que os outros meninos cá embaixo não tenham. De qualquer das formas, mesmo sem saber ler, sei que escutas com o coração, e, que ninguém nos ouça, é a melhor maneira de ouvir.
Às vezes teimo em pensar como foram os momentos antes da vossa partida... Se sofreram, é o que mais me assombra, quase todos os dias da minha vida.
Espero que simplesmente tenham se sentido cansadas e tenham adormecido, porque aquilo que estava a ser pedido de vocês, ou antes, aquilo que não vos estava a ser dado deve ter feito com que ficassem cansaditas e tenham decido descansar.
A tua mamã foi a primeira pessoa que persofinicou a perda da Nô. Muito antes de ter coragem de falar com ela, fui imensas vezes ao Facebook e ao blog por diversas razões... Para a ler, para tentar compreender, porque me identificava com cada palavra dita, e, acima de tudo, para ver fotos tuas. És tão linda pequenina
Imagino-te agora parecida com o teu mano, porque uma vez a tua mamã postou uma foto dele recém nascido e eu vos achei tão parecidos... Enfim. Eu ia ver as tuas fotos, pois como sabes, eu não vi a Nô (espero que ela me perdoe por isso)... E as tuas fotos exerciam um fascínio em mim. Estavas a dormir. Eras perfeitas, tinhas uns lábios tão bem desenhados... Não havia dor no teu rosto, somente paz. Em contrapartida, vi nos olhos e nas expressões dos teus papás o mesmo vazio que eu e o pai da Nô tínhamos... Foi nos roubado tudo. Não nos restava esperança, somente um vazio imenso.
O tempo tem passado, não sei se aí passa da mesma forma do que cá, mas parece que já passa uma eternidade desde que vocês partiram, e no entanto, só dois anos.
Todos os dias aprendemos a lidar com a vossa ausência, com a vossa saudade, com a ignorância de certas pessoas, com o pessimismo, com o medo insano de perder os vossos irmãos. Não é fácil viver assim. Não é fácil sentir saudade constante de algo. Não é fácil saber que não temos volta a dar. Não é fácil lutar todos os dias um bocadinho para que vocês não sejam esquecidas e sejam respeitadas como pessoas que são. Somos muito gratas por tudo que vocês nos deram e nos dão. Graças a ti, sei o quanto a tua mãe é melhor mãe para o Alex, tal como eu sou para o Kiko... Vocês nos ensinaram a aproveitar o momento, a sermos gratas por aquilo que temos, a não perder tanto tempo com coisas sem importância, acima de tudo, vocês nos ensinaram a amar. Amar sem ver. Amar sem tocar. Amar sem cheirar. Ensinaram-nos a amarmos os vossos irmãos, a absorver cada bocadinho deles, porque um dia vão ser demasiado crescidos para os nossos colos.
Sei que tens orgulho na tua mãe por tudo aquilo que ela tem feito, pelo sonho que realizou ao entrar para a Cruz Vermelha, pelo apoio que ela dá à mulheres como eu, e isso tudo, ela (e eu) só tem a agradecer a ti.
Pequenina, a tua vida na Terra foi curta, mas o teu legado vai durar para sempre... Porque eu tenho a certeza que no dia em que a tua mãe estiver finalmente pronta para estar contigo, o Alexandre jamais se vai esquecer a irmã especial que tem... E o teu nome, a tua vida, vai perdurar para sempre.
Gosto muito de ti Jú, espero que tu e a Nô sejam boas amigas.
Não fiquem tristes connosco quando choramos e nos apetece ir ter convosco... Nem sempre é fácil. Aliás, na maior parte do tempo é muito difícil, cansa durante muitos dias vestir uma capa de alegria, só para não "perturbar" ninguém com a nossa dor.
Espero que tenhas um dia "fabulástico" pequena Princesa.
Sê muito feliz, pois só conheceste o amor, nada de mal te tocou...

Beijinho,
Tia Tainá.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Júlia...

Júlia,

Hoje é quinta-feira e cá em baixo está um dia cinzento... chuvoso... mesma luminosidade... não fosse a temperatura exterior estar uns 10ºC acima diria que o tempo está igual ao dia em que nasceste Anjo Rosa. Como me doem os dias assim... aqueles que saindo à rua ou olhando pela janela nos transportam ao pior dia das nossas vidas. Como é que ao fim de um ano e meio ainda dou por mim a perguntar-me porquê e onde errei contigo? e a pedir-te perdão por não te ter conseguido proteger...
As saudades teimam em rasgar-me a alma, amo-te tanto minha filha...

domingo, agosto 02, 2015

Neste mês...

Neste mês completas 1 ano e meio e é impressionante a quantidade de gaiatas da tua idade que se têm cruzado comigo. Todas lindas, super sorridentes e simpáticas. É assim também que te imagino... com o cabelo cheio de caracóis, tal qual o teu irmão tinha, com a mesma vida que o teu irmão tem...
Dizem que o ano 1 após a partida de quem amamos é o ano da maior saudade... não sei se é... mas que elas crescem dia a dia a par com o amor que te sinto é o que de mais verdadeiro trago em mim. Tenho saudades tuas Júlia, tenho mesmo muitas saudades tuas minha filha

sexta-feira, março 20, 2015

13...

Mais um mês... 13... 13 meses se completam em dia de eclipse solar, super lua e equinócio da primavera... Deus mostrando a sua grandeza.
Mais um mês a sorrir-te, amar-te e a ser feliz sofrendo... Mais um... passado contigo sempre presente em cada célula do meu corpo, em cada instante do pensamento, no sopro do vento, na gota da chuva, no raio do sol, na nuvem branca e na gaivota que voa... mais um mês contigo presente na beleza de todas as coisas que me circundam e envolvem. O vento é um abraço, os raios de sol são beijos diretamente vindos do Céu. E o Céu está em festa hoje minha princesa, meu Anjo Rosa, minha e para sempre minha filha Júlia... Perdurat amor in aeternum

sexta-feira, março 06, 2015

Amanhã...

Tenho andado estes dias a pensar no dia 7 de Março de 2014 e não consigo lembrar nada.
Um apagão daqueles...

Em vésperas de fazer mais um aniversário penso neste ciclo anual que passou por mim... estranhamente dias como o 7 de Março popularam o ano de 2014.

Celebrar um aniversário, seja meu ou de alguém querido tem sido tão doloroso e tenho feito das tripas coração para disfarçar o mais possível o meu desconforto. Não consigo evitar recordar que a minha filha nunca estará aqui connosco para celebrar o dela e lançar balões cantando os parabéns à beira-mar não era o que eu almejava para a nossa vida.

O dia de amanhã deixou de ser um dia festivo há 380 dias. O dia de amanhã passou a ser apenas o dia em que somo mais uma unidade ao número de anos que já vivi... e que acontece 15 dias depois do aniversário da morte da minha filha.

Sou feliz como alguém escalar o Evereste com pouca roupa e sem equipamento, o que quer dizer que sou feliz em sofrimento. Um contracenso não é? Mas de facto é assim mesmo, esta dor que trago em mim há 380 dias é a mesma dor que me ajuda a ser feliz, que mantém viva a minha filha dentro de mim.

Eu estou bem! Porque não estaria? Um amputado em princípio não morre porque lhe cortam um membro... sobrevive e aprende a viver todos os dias sem ele tal como eu... estou bem mas não estou bem como estava há 381 dias atrás, sou feliz mas não como era até há 381 dias atrás. Esta minha felicidade é a felicidade da minha nova vida como mãe orfã de filha e é uma felicidade sofrida... todos os dias... todos os dias...

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

No meu mundo perfeito...

... a esta hora teria os meus dois filhos agarrados a mim...

A mais nova, com a ajuda do mais velho, estaria a treinar o sopro da primeira velinha que será daqui a 15 dias...

Só que daqui a 15 dias haverá apenas um grande vazio... sem velas, sem risos, sem bolo e sem festa... só um vazio recheado de uma grande saudade do que se viveu mas sobretudo de uma saudade imensa do futuro que se negou a existir...